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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O Verbo se fez Carne - João 1:14

por
Don Fortner

Fonte : www.monergismo.com
Tradução : Felipe Sabino de Araújo Neto

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1:14).
[Leia Lucas 1:1-56]
Nenhuma mente pode jamais compreender, nem língua terrena descrever, o grande mistério da piedade: “Deus se manifestou em carne”. Aquele bebê nascido em Belém é próprio Deus eterno. Embora Ele fosse dependente do leito do seio de Sua mãe para viver, Ele é o Deus que formou os seios que O amamentavam. Embora Maria O segurasse em seus braços, Ele é o Deus que sustenta todas as coisas pela palavra do Seu poder. Embora Ele tenha aprendido a andar e falar, e tenha crescido como qualquer outra criança, Ele é o Deus onisciente e onipotente. Embora Ele tenha vivido como um homem em obediência deliberada, voluntária e perfeita à lei, Ele é o Deus que deu a lei à Moisés. Embora Ele tenha morrido sob a penalidade da lei como um homem em lugar de pecadores, aquele homem que morreu é Deus!
Por que Cristo nasceu? Por que o Filho de Deus assumiu a humanidade? “Esta é uma palavra fiel e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores”' (1 Timóteo 1:15). Atanásio disse: “Cristo se tornou o que nós somos para que Ele pudesse nos tornar o que Ele é”. O Filho de Deus se tornou Filho do homem para este propósito: para que os filhos dos homens possam se tornar filhos de Deus. A. W. Tozer colocou isso da seguinte forma: “A majestade terrível da Deidade foi misericordiosamente envolvida no frágil envelope da natureza humana para proteger a humanidade”.
O nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, se tornou um homem porque não era possível para Deus salvar pecadores de qualquer outra forma. Para ser o nosso Salvador, foi necessário que o próprio Deus se tornasse um de nós, osso dos nossos ossos e carne da nossa carne. Fosse Ele somente Deus, nunca poderia ter sofrido a punição do pecado como o nosso Substituto. Fosse Ele somente homem, nunca poderia satisfazer a ira e justiça infinita de Deus contra o pecado. Mas Aquele que é tanto Deus como homem, em uma pessoa gloriosa, tanto sofreu como satisfez a penalidade da lei como o Substituto do pecador.
Embora eu não possa entender nem explicar completamente a maravilha e o mistério da Sua pessoa, eu posso e na verdade confio naquele homem que é Deus como meu único e todo-suficiente Salvador. Visto que Deus se tornou homem e sofreu no lugar de homens, Ele é capaz de salvar todos que confiam nEle.
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domingo, 28 de novembro de 2010

O Sínodo de Dort

por
Juliano Heyse

Fonte : www.bomcaminho.com

Os famosos cinco pontos do Calvinismo foram propostos originalmente por João Calvino, o grande reformador francês, certo? Errado. Se você pudesse voltar no tempo e perguntasse a Calvino quais são os 5 pontos, ele não teria a menor chance de acertar. Afinal os 5 pontos foram estabelecidos mais de 50 anos após sua morte. E isso não ocorreu em Genebra, nem na França, e sim na Holanda. E é para lá que temos que voltar nossa atenção, mais precisamente para a cidade de Dordrecht.

Contexto histórico

Antes, porém, convém nos situarmos no tempo. Em 1517, Lutero publica as 95 teses (o início da Reforma Protestante). Quatro anos depois ele é "convidado" a se retratar na Dieta de Worms e lá ele faz o rompimento definitivo com a igreja católica, atrelando sua consciência à Palavra de Deus. Mais tarde, em 1536, na cidade de Genebra, Calvino publica a primeira edição das Institutas da Religião Cristã - a melhor e mais completa sistematização da doutrina protestante até então. Aperfeiçoamentos ocorreram e a edição definitiva só foi fechada 23 anos depois, em 1559. Em 1564, Calvino morreu. Lutero já havia morrido, antes, em 1546. Os dois mais importantes reformadores já não viviam mais sobre a terra quando a nossa história começou.
Quanto a Armínio, muitas pessoas pensam que ele e Calvino travaram calorosos debates em que se digladiavam ferozmente em defesa das suas respectivas posições. Não seria totalmente impossível, mas considerando-se que Armínio tinha quatro anos de idade quando Calvino morreu, não parece razoável imaginar tal quadro. A verdade é que eles jamais se conheceram.

Igreja Reformada Holandesa

Mas vamos à nossa história. Voltamos a nossa atenção para a Holanda, que na época era conhecida como Países Baixos (o território que hoje é ocupado por Bélgica, Holanda e Luxemburgo). É lá que toda a trama acontece. Na época da Reforma o Rei da Espanha, Filipe II, governava os países baixos. O crescimento do protestantismo foi severamente coibido com fortíssimas perseguições e mortes. Estima-se que dezenas de milhares de protestantes foram mortos pelos dirigentes católicos que governavam o país.
A revolta contra os espanhóis foi crescendo até que Guilherme de Orange conseguiu, depois de muitas tentativas, conquistar a tão sonhada independência, mais tarde consolidada por seu filho Maurício de Nassau. Surgia uma nova nação protestante já que o país era, naquela época, de maioria calvinista. Os novos líderes resolveram adotar a religião reformada como religião oficial, utilizando-a como elemento de integração e estabilidade do novo país. Todos os oficiais da igreja reformada holandesa tinham que jurar seguir a Confissão Belga e o Catecismo de Heidelberg.
É importante ter em mente a forte ligação entre o estado e a igreja, comum nos tempos da reforma. Só que na Holanda as igrejas tinham uma autonomia relativamente grande, podendo nomear seus oficiais e exercer disciplina sobre os membros. Isso perturbava alguns membros do Estado. Em 1591, uma comissão, presidida por Johannes van Oldenbarnevelt e James Arminius, propôs uma estrutura mais ao gosto do poder secular: a escolha de oficiais da igreja passaria a ser feita por um grupo de representantes (quatro do Estado e quatro da igreja). Isso permitiu uma ingerência muito maior do Estado nos assuntos da igreja. Esta situação - a história mostra - costuma causar problemas. Levando-se em conta que outras religiões eram meramente toleradas (mas não tinham nem o direito de ter seus próprios templos), muitas pessoas vieram para a igreja, cuja vinda não teria ocorrido caso a igreja não fosse oficial do Estado holandês. Repetia-se algo como nos tempos do imperador romano Constantino - a igreja passava a atrair pessoas não regeneradas, muitas vezes com segundas intenções.

A Controvérsia Arminiana

Nessas condições, favoráveis por um lado, mas perigosas por outro, é que surgiu a Controvérsia Arminiana. Duas questões foram levantadas na época - uma doutrinária e outra de política eclesiástica. Primeiro: O ensino de James Arminius era compatível com a Confissão Belga e com o Catecismo de Heidelberg? Afinal, todos os oficiais da igreja haviam se comprometido a permanecerem fiéis a ambos os credos. Segundo: Caso o ensino não estivesse de acordo, a igreja reformada teria poder para destituir aqueles que pregavam doutrinas que conflitavam com aqueles credos?
A questão da autoridade tornou-se problemática porque o governo insistia em manter nos ofícios eclesiásticos pessoas que a igreja considerava que deviam ser destituídas. Dessa forma, entre 1586 e 1618 aumentou muito o número de ministros que permaneciam nas igrejas contra a vontade da congregação e das assembléias eclesiásticas. As igrejas, intranqüilas, exigiam a convocação de um sínodo nacional para esclarecer a situação. Mas o governo central temia o crescente poder das igrejas reformadas e insistia em não permitir a convocação do sínodo.
Foi em meio a tudo isso que James Arminius surgiu - um personagem controverso. Era considerado até pelos seus opositores como sendo um pastor fiel, bom cristão, sóbrio, moderado, homem sincero e de raras habilidades intelectuais. Mas é difícil não concordar com a principal acusação que ele sempre carregou: era um homem que sofria de uma certa "duplicidade". Isso ficará claro quando analisarmos a sua história nos próximos parágrafos.

James Arminius

Armínio nasceu em 1560, no sul da Holanda. Estudou em Genebra com Beza, o sucessor de Calvino. Tornou-se ministro em Amsterdam em 1588. Não foram seus escritos, mas sim sua pregação que começou a chamar a atenção por não parecer muito ortodoxa. Ele decidiu fazer uma pregação expositiva no livro de Romanos. Sua interpretação de boa parte dos primeiros textos do livro surpreendeu seus ouvintes. Mas foi no capítulo 7 que ele trouxe sobre si uma avalanche de protestos. O texto de Romanos 7:14-15 diz: "Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto.". Armínio propôs que esse texto se referia a uma pessoa não regenerada, contrariando o que os principais exegetas reformados sempre defenderam, ou seja, que Paulo falava sobre si mesmo, na condição de cristão. Ao pregar em Romanos de 8 a 11, ele enfatizou o tempo todo o livre arbítrio do homem e ao chegar a Romanos 13, afirmou que o Estado tinha a suprema autoridade em assuntos eclesiásticos e religiosos.
Por conta de tudo isso, um de seus colegas, Petrus Plancius, registrou denúncia contra ele para que ele fosse investigado pelo consistório. Havia rumores sobre o novo ensino em todo o país. Armínio, no entanto, confirmava pleno compromisso com a Confissão Belga e com o Catecismo de Heidelberg. No entanto, ficava cada vez mais evidente que ele tinha problemas com o artigo 16 da confissão, o qual afirmava a doutrina da eleição.
Em 1602 surgiu uma vaga na famosa Universidade de Leiden, para suceder um de seus principais professores de teologia, morto pela praga que assolava a Holanda naquele ano. Alguém indicou o nome de James Arminius para sucedê-lo. Havia uma preocupação quanto à ortodoxia de Armínio, e portanto a sua aceitação foi condicionada a uma entrevista com o Dr. Franciscus Gomarus sobre os pontos chaves da doutrina. Gomarus era um famoso Calvinista, profundo conhecedor da Palavra. Diante de diversos comissários, Armínio rejeitou publicamente diversas doutrinas pelagianas quanto a graça natural, livre arbítrio, pecado original e predestinação. Também prometeu jamais ensinar qualquer coisa em desacordo com a doutrina oficial das igrejas. Assim sendo, ele foi aceito como Professor de Teologia da Universidade de Leiden.
Em suas aulas públicas, Armínio permaneceu firme nas suas promessas. Mas em aulas particulares, a alunos selecionados, ele expressava francamente suas dúvidas e questionamentos. Esses alunos foram fortemente influenciados por ele e começaram a propagar alguns desses ensinamentos. Por onde iam, questionavam a doutrina reformada, atacando-a de diversas formas.
Armínio permanecia afirmando estar em pleno acordo com a doutrina reformada enquanto disseminava seus novos pontos de vista nos bastidores. Seus adversários o condenam fortemente por demonstrar absoluta falta de caráter fazendo um tipo de "jogo-duplo". Ao mesmo tempo, seus defensores o elogiam dizendo que tudo o que ele fez foi pensando sempre na unidade da universidade e das igrejas. O leitor pode decidir por si mesmo.

Arminius versus Gomarus

A intranqüilidade aumentava e em 1607 o sínodo da Holanda do Sul recebeu queixas contra os ensinamentos de Armínio. O sínodo convocou James Arminius e o colocou mais uma vez frente a frente com Franciscus Gomarus e os dois expuseram e compararam seus pontos de vista. Mais uma vez Armínio alegou total fidelidade à Confissão Belga e como os delegados não conseguiram perceber grandes diferenças entre o que foi exposto por Arminius e por Gomarus, recomendaram que houvesse tolerância mútua. Outra conferência foi convocada em 1609, também não redundando em avanços. Naquele mesmo ano Armínio morreu de tuberculose.

Os Cinco Artigos do Arminianismo

Com a morte de Armínio, sua causa passou a ser liderada por Johannes Uitenbogaard e Simon Episcopius. Em 1610, sob a liderança de Uitenbogaard, os arminianos se reuniram e elaboraram uma representação (remonstrance - por isso são conhecidos até hoje como os remonstrantes). Nela os arminianos atacavam algumas doutrinas calvinistas e estabeleceram 5 artigos com suas próprias posições:

1. A eleição está condicionada à previsão da fé.
2. Expiação universal (Cristo morreu por todos os homens e por cada homem, de forma que ele conquistou reconciliação e perdão para todos por sua morte na cruz, mas só os que exercem a fé podem gozar desse benefício).
3. Necessária a regeneração para que alguém seja salvo (aparentemente, uma visão perfeitamente ortodoxa, mas mais tarde ficou claro que a visão deles era tal que negava fortemente a depravação da natureza humana).
4. A possibilidade de resistir à graça.
5. A incerteza quanto à perseverança dos crentes (mais tarde eles deixaram claro que não criam de forma alguma na garantia da perseverança).
Os artigos foram assinados por 46 ministros.
Os calvinistas responderam com uma reafirmação da doutrina calvinista. Formou-se o grupo conhecido na história como os contra-remonstrantes. Isso ocorreu em 1611.

A convocação do Sínodo

O poder público não ficou indiferente à controvérsia que ganhava contornos cada vez mais perigosos. Havia pessoas que estavam utilizando a controvérsia religiosa para incitar rebeliões e outras formas de ação política. Assim, em 11 de novembro de 1617, Maurício de Nassau decidiu que um sínodo nacional deveria ser convocado em 1 de novembro de 1618. Estava criado o quadro para o surgimento do famoso Sínodo de Dort.
Encorajado pelo Rei Tiago I da Inglaterra, o governo central holandês enviou convites a diversos representantes de países reformados para que enviassem delegados para participarem do sínodo. O governo holandês requisitava a cada país que fossem enviados alguns de seus teólogos mais renomados, de proeminente erudição, santidade e sabedoria, que com seu conselho e juízo pudessem trabalhar diligentemente para apaziguar as diferenças que tinham surgido nas igrejas da Holanda, trazendo paz àquelas igrejas.
Outro motivo para convidar os teólogos estrangeiros, foi a tentativa de garantir a isenção que os remonstrantes alegavam que a igreja da Holanda não possuia. Uma terceira razão estava ligada ao fato dos remonstrantes alegarem continuamento ao povo que as demais igrejas protestantes compartilhavam da mesma visão que eles. A presença dos delegados estrangeiros poderia dirimir esta e outras dúvidas.

O Sínodo de Dort

Em 13 de novembro de 1618 o Sínodo Nacional de Dort foi estabelecido. Todas as despesas seriam pagas pelo governo holandês. O sínodo era composto de 84 membros e 18 comissários seculares. Dos 84 membros, 58 eram holandeses, oriundos dos sínodos das províncias, e os demais (26) eram estrangeiros. Todos tinham direito a voto.
Após um culto de oração todos foram para o local das reuniões. O moderador era Johannes Bogerman. A primeira atividade foi o pronunciamento do juramento:
"Prometo, diante de Deus em quem creio e a quem adoro, que está presente neste lugar, e que é o Perscrutador de nossos corações, que durante o curso dos trabalhos deste Sínodo, que examinará não só os cinco pontos e as diferenças resultantes deles mas também qualquer outra doutrina, não utilizarei nenhum escrito humano, mas apenas e tão somente a Palavra de Deus, que é a infalível regra de fé. E durante todas estas discussões, buscarei apenas a glória de Deus, a paz da Igreja, e especialmente a preservação da pureza da doutrina. Assim, que me ajude Jesus Cristo, meu Salvador! Rogo para que ele me assista por meio do seu Espírito Santo!"
Os membros foram divididos em 18 comitês. A cada questão proposta ao sínodo, cada um dos comitês formulava sua própria resposta que era depois apresentada ao Sínodo como um todo. O material escrito era entregue aos moderadores que compilavam um texto único. Esse texto era aprovado pelos próprios moderadores ou ia a voto.
O tema principal do Sínodo era o arminianismo. Foram convocados para comparecer diversos teólogos arminianos. Estes se reuniram antes em Rotterdam e nomearam oficiais para representá-los. A estratégia deles era atacar os contra-remonstrantes como sendo fanáticos religiosos. A idéia era centrar forças contra o supralapsarianismo de Gomarus.
Simon Episcopius foi escolhido para ser o orador dos remonstrantes. Logo na segunda reunião, ele já se indispôs com todos e usou de uma artimanha típica dos arminianos. Fez críticas ao Sínodo, ao governo e ao príncipe Maurício. Quando instado a fornecer uma cópia do discurso, alegou que esta estava ilegível. Mais tarde concordou em fornecer uma cópia, mas esta não continha as críticas aos governantes.
A batalha era severa. Os remonstrantes alegavam que o sínodo não tinha competência para julgá-los. Bogerman, o moderador, retrucava dizendo que o sínodo havia sido legalmente constituído pelo poder público. Os remonstrantes deveriam ter aceitado esse argumento, já que sempre defenderam que o estado é a autoridade máxima nas questões religiosas e eclesiásticas. Ao serem convidados a colocar no papel suas divergências em relação à Confissão Belga, os remonstrantes negaram-se a obedecer. Quando Bogerman perguntou se eles reconheciam os artigos da representação de 1610, permaneceram calados.
Como os remonstrantes dificultavam demais os trabalhos, em 14 de janeiro de 1619 Bogerman perguntou a eles definitivamente se eles iriam comportar-se e submeter-se ao Sínodo. Eles responderam que não se submeteriam ao Sínodo. Irritado, Bogerman precipitou-se e mandou-os embora sem consultar os demais membros. As mesas e cadeiras dos arminianos foram retiradas e passou-se a analisar suas opiniões através de seus escritos. O principal documento analisado foi a representação de 1610 com seus 5 artigos.

Os Cânones de Dort

O documento final, os Cânones de Dort, foi formulado em 93 artigos, separados em 5 pontos de doutrina. O documento foi assinado por todos os delegados em 23 de Abril de 1619. Foram ao todo 154 reuniões ao longo de sete meses. Prevaleceu a interpretação ortodoxa.
Muitos consideram injustas as medidas tomadas após o sínodo. Afinal, mais de 200 ministros remonstrantes foram depostos de seus cargos. Alguns se retrataram e retornaram às suas funções, mas boa parte foi definitivamente banida. Mas é bom lembrar que o que hoje seria considerado, talvez, indevida perseguição religiosa, era uma prática absolutamente comum a todas as religiões e países da época.
É importante entender também que os ministros remonstrantes eram muitas vezes mantidos em seus cargos apesar de estarem violando o juramento que fizeram de manterem-se fiéis à confissão belga e ao catecismo de Heidelberg. Isso era conseguido por meio do apoio de políticos poderosos. Enquanto isso, os mesmos políticos perseguiam os contra-remonstrantes chegando ao ponto, em algumas situações, de impedir-lhes o acesso ao local de culto. A religião e a controvérsia eram freqüentemente usadas para fins políticos.
Pode-se dizer que ocorreu com os arminianos o que já aconteceu centenas de vezes na história da igreja. Nas palavras de Johns R. de Witt:
"um homem raramente é honesto o suficiente para sair de sua igreja, se suas convicções são incompatíveis com as daquela igreja. Normalmente ele tenta, por meio de uma estranha linha de argumentação casuística, converter a igreja ao seu próprio entendimento da verdade".
Os arminianos, ao romperem suas promessas e no entanto permanecerem atuando na igreja, encaixaram-se perfeitamente nessa descrição.
É bom lembrar que outras religiões eram toleradas na Holanda naquele período, apesar de não poderem construir templos próprios. Entre estes haviam peregrinos, luteranos, anabatistas e até mesmo católicos romanos. Mas nenhum deles ameaçava a igreja "de dentro" como faziam os arminianos.

Conclusão

O Sínodo de Dort foi importante por ter mostrado a tentativa dos arminianos de diminuírem a soberania de Deus na salvação, engrandecendo o papel do homem na sua própria salvação.
Mais tarde, os cinco pontos de divergência em relação aos artigos arminianos passaram a ser conhecidos como os "cinco pontos do calvinismo" e um acróstico foi criado para facilitar a lembrança de cada ponto. A esse acróstico deu-se o nome de TULIP:
T otal depravação
U ma eleição incondicional
L imitada expiação
I rresistível graça
P erseverança dos santos

É importante frisar que os cinco pontos e os cânones de Dort não são uma exposição da doutrina reformada. Esta é muito mais abrangente. Longe de serem uma exposição do calvinismo, os cinco pontos servem muito mais para enfatizar diferenças entre o calvinismo e o arminianismo, principalmente na relação da soberania de Deus com a salvação. O ensino de Calvino é muito mais amplo e abrangente e, no que se refere aos cinco pontos, alguns deles ele nem sequer tratou em profundidade, como é o caso, por exemplo, da expiação limitada.
Acreditamos firmemente que é importante conhecer as origens daquilo em que cremos e perceber que, tal qual ocorreu com outras doutrinas como a Trindade e a dupla natureza de Cristo, a verdade de Deus esteve sempre sob ataque e homens corajosos sempre se levantaram para batalhar "diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos" (Jd 3). Graças a Deus.

Bibliografia
Seaton, W. J., Os Cinco Pontos do Calvinismo (São Paulo - Editora PES)
Wikipedia, Synod of Dort, http://en.wikipedia.org/wiki/Synod_of_Dort
Vandergugten, S., The Arminian Controversy and the Synod of Dort,
http://www.spindleworks.com/library/vandergugten/arminian_c.htm
Wikipedia, Five Points of Calvinism,
http://en.wikipedia.org/wiki/Five_points_of_Calvinism

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Teologia Reformada

por

James Montgomery Boice

A Teologia Reformada recebe seu nome da Reforma Protestante do século XVI, com suas ênfases teológicas distintas, mas é teologia solidamente baseada na própria Bíblia. Os crentes na tradição reformada têm alta consideração as contribuições específicas como as de Martinho Lutero, John Knox e, particularmente, de João Calvino, mas eles também encontram suas fortes distinções nos gigantes da fé que os antecederam, tais como Anselmo e Agostinho e principalmente nas cartas de Paulo e nos ensinamentos de Jesus Cristo.

Os Cristãos Reformados sustentam as doutrinas características de todos os cristãos, incluindo a Trindade, a verdadeira divindade e humanidade de Jesus Cristo, a necessidade do sacrifício de Jesus pelo pecado, a Igreja como instituição divinamente estabelecida, a inspiração da Bíblia, a exigência para que os cristãos tenham uma vida reta, e a ressurreição do corpo. Eles sustentam outras doutrinas em comum com cristãos evangélicos, tais como justificação somente pela fé, a necessidade do novo nascimento, o retorno pessoal e visível de Jesus Cristo e a Grande Comissão.

O que, então, é distinto a respeito da Teologia Reformada?

1. A Doutrina das Escrituras

O compromisso da reforma para com a Escritura enfatiza a inspiração, autoridade e suficiência da Bíblia. Uma vez que a Bíblia é a Palavra de Deus e, portanto, tem a autoridade do próprio Deus, os reformadores afirmam que essa autoridade é superior àquela de todos os governos e de todas as hierarquias da Igreja. Essa convicção deu aos crentes reformados a coragem para enfrentar a tirania e fez da teologia reformada uma força revolucionária na sociedade. A suficiência das Escrituras significa que ela não necessita ser suplementada por uma revelação nova ou especial. A Bíblia é o guia completamente suficiente para aquilo que nós devemos crer e para como nós devemos viver como cristãos.

Os Reformadores, em particular, João Calvino, enfatizaram o modo como a Palavra escrita, objetiva e o ministério interior, sobrenatural do Espírito Santo trabalham juntos, e o Espírito Santo iluminando a Palavra para o povo de Deus. A Palavra sem a iluminação do Espírito Santo mantém-se como um livro fechado. A suposta condução do Espírito sem a Palavra leva a erros excessos. Os Reformadores também insistiam sobre o direito de os crentes estudarem as Escrituras por si mesmos. Ainda que não negando o valor de mestres capacitados, eles compreenderam que a clareza das Escrituras em assuntos essenciais para a salvação torna a Bíblia propriedade de todo crente. Com esse direito de acesso, sempre vem a responsabilidade sobre a interpretação cuidadosa e precisa.

2. A Soberania de Deus

Para a maioria dos reformadores, o principal e o mais distinto artigo do credo é a soberania de Deus. Soberania significa governo, e a soberania de Deus significa que Deus governa sua criação com absoluto poder e autoridade. Ele determina o que vai acontecer, e acontece. Deus não fica alarmado, frustrado ou derrotado pelas circunstâncias, pelo pecado ou pela rebeldia de suas criaturas.

3. As Doutrinas da Graça

A Teologia Reformada enfatiza as doutrinas da graça.

Depravação Total: Isso não quer dizer que todas as pessoas são tão más quanto elas poderiam ser. Significa, antes, que todos os seres humanos são afetados pelo pecado em todo campo do pensamento e da conduta, de forma que nada do que vem de alguém, separado da graça regeneradora de Deus, pode agradá-lo. À medida que nosso relacionamento com Deus é afetado, nós somos tão destruídos pelo pecado, que ninguém consegue entender adequadamente Deus ou os caminhos de Deus. Tampouco somos nós que buscamos Deus, e, sim, é ele quem primeiramente age dentro de nós para levar-nos a agir assim.

Eleição Incondicional: Uma ênfase na eleição incomoda muitas pessoas, mas o problema que as preocupa não é realmente a eleição; diz respeito à depravação. Se os pecadores são tão desamparados em sua depravação, como a Bíblia diz que são, incapazes de conhecer a Deus e relutantes em buscá-lO, então, o único meio pelo qual eles podem ser salvos é quando Deus toma a iniciativa de mudá-los e salvá-los. É isso que significa eleição. É Deus escolhendo salvar aqueles que, sem sua soberana escolha e subseqüente ação, certamente pereceriam.

Expiação Limitada: O nome é, potencialmente, enganoso, pois ele parece sugerir que os reformadores desejam de alguma forma limitar o valor da morte de Cristo. Não é o caso. O valor da morte de Cristo é infinito. A questão é saber qual é o propósito da morte de Cristo e o que ele realizou com ela. Cristo pretendia fazer da salvação algo não mais que possível? Ou ele realmente salvou aqueles por quem morreu? A Teologia Reformada acentua que Jesus realmente fez a propiciação pelos pecados daqueles a quem o Pai escolhera. Ele realmente aplacou a ira de Deus para com seu povo, assumindo a culpa sobre si mesmo, redimindo-os verdadeiramente e reconciliando verdadeiramente aquelas pessoas específicas com Deus. Um nome melhor para expiação “limitada” seria redenção “particular” ou “específica”.

Graça Irresistível: Abandonados em nós mesmos, nós resistimos à graça de Deus. Mas, quando Deus age em nosso coração, regenerando-nos e criando uma vontade renovada, então, o que antes era indesejável torna-se altamente desejável, e voltamo-nos para Jesus da mesma forma como antes fugíamos dele. Pecadores arruinados resistem à graça de Deus, mas a sua graça regeneradora é efetiva. Ela supera o pecado e realiza os desígnios de Deus.

Perseverança dos Santos: Um nome melhor seria “perseverança de Deus para com os santos”, mas ambas as idéias estão realmente juntas. Deus persevera conosco, protegendo-nos de deixar a fé, que certamente aconteceria se ele não estivesse conosco. Mas, porque ele persevera, nós também perseveramos. Na realidade, perseverança é a prova definitiva de eleição.

4. Mandato Cultural

A Teologia Reformada também enfatiza o mandato cultural ou a obrigação de os cristãos viverem ativamente em sociedade e de trabalharem para a transformação do mundo e suas culturas. Os reformadores tiveram várias perspectivas nessa área, dependendo da extensão como acreditam que a transformação seja possível. Mas, no geral, concordam com duas coisas. Primeira, nós somos chamados para estar no mundo e não para nos afastarmos dele. Isso separa os reformadores crentes do monasticismo. Segunda, nós devemos alimentar os famintos, vestir os despidos e visitar os prisioneiros. Mas as principais necessidades das pessoas são espirituais, e a obra social não é substituto adequado para a evangelização. Na verdade, o empenho em ajudar as pessoas só será verdadeiramente eficiente se seu coração e mentes forem transformados pelo Evangelho. Isso separa os crentes reformados do simples humanitarismo.

Tem-se alegado que, para a Teologia Reformada, qualquer pessoa que crê e faça parte da linha reformada perderá toda a motivação para a evangelização. “Se Deus vai agir, por que devo me preocupar?” Mas não é assim que funciona. É porque Deus executa a obra que nós podemos ter coragem de nos unirmos a ele, da forma como ele nos ordena a agir. Nós agimos assim alegremente, sabendo que nossos esforços jamais serão em vão.

Fonte: Bíblia de Estudo de Genebra

sábado, 9 de outubro de 2010

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Calvinismo e evangelismo

João Calvino como Pastor, Evangelista e Missionário

Harry L. Reeder

Muitos conhecem a acusação de que os calvinistas se preocupam somente com doutrina e são indiferentes à evangelização e missões. Além disso, o calvinismo é acusado de ser contraproducente em relação ao empreendimento de evangelização e missões. Isso é errado não somente no que diz respeito à história, conforme revela um exame da lista de grandes pastores-evangelistas e missionários que eram declaradamente calvinistas (ou seja, George Whitefield, Charles H. Spurgeon, William Carey, David Brainerd, Jonathan Edwards, etc.), mas também no que diz respeito ao próprio Calvino.
A paixão de Calvino como pastor-evangelista se revelou de várias maneiras. Calvino evangelizava persistentemente as crianças de Genebra, por meio de aulas de catecismo e da Academia de Genebra. Além disso, ele treinava pregadores a rogarem aos homens e mulheres que seguissem a Cristo. A visitação na enfermidade prescrevia uma conversa evangelística. Até uma análise superficial dos sermões de Calvino mostra de imediato um zelo permanente para que homens e mulheres fossem convertidos a Cristo.
E o que podemos dizer sobre missões? O Registro da Venerável Companhia de Pastores relata que 88 missionários foram enviados de Genebra. De fato, houve mais do que cem, e muitos deles foram treinados diretamente por Calvino.
Contudo, missões foram realizadas em um nível mais informal. Genebra se tornou o imã de crentes perseguidos, e muitos desses imigrantes foram discipulados e retornaram ao seu país como missionários e evangelistas eficazes.
Quando se acalmaram os tempos turbulentos no ministério pastoral de Calvino, surgiu a oportunidade para expansão missionária intencional e implantação de igrejas. A bênção de Deus sobre os esforços missionários de Calvino e das igrejas de Genebra, de 1555 a 1562, foi extraordinária — mais de 200 igrejas secretas foram implantadas na França por volta de 1560. Até 1562, o número crescera para 2.150, produzindo mais de 3.000.000 de membros. Algumas dessas igrejas tinham congregações que totalizavam milhares de membros. O pastor de Montpelier informou a Calvino, numa carta, que “nossa igreja, graças a Deus, tem crescido, e continua a crescer tanto a cada dia, que pregamos três sermões aos domingos para mais de cinco ou seis mil pessoas”.
Outra carta, do pastor de Toulouse, declarava: “Nossa igreja continua crescendo até ao admirável número de oito ou nove mil almas”. A amada França de João Calvino, por meio de seu ministério, foi invadida por mais de 1.300 missionários treinados em Genebra. Esse esforço, conjugado com o apoio de Calvino aos valdenses, produziu a Igreja Huguenote Francesa que quase triunfou sobre a Contra-Reforma católica na França.
Calvino não evangelizou e implantou igrejas somente na França.
Os missionários treinados por ele estabeleceram igrejas na Itália, Holanda, Hungria, Polônia, Alemanha, Inglaterra, Escócia e nos estados independentes da Renânia. Ainda mais admirável foi uma iniciativa que enviou missionários ao Brasil.
O compromisso de Calvino com a evangelização e missões não era teórico, mas, como em todas as outras áreas de sua vida e ministério, era uma questão de atividade zelosa e compromisso fervoroso.

Fonte : www.editorafiel.com.br

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Doutrina da Eleição: Fonte de Encorajamento para a Pregação do Evangelho a Pecadores

por Dr. Bennet Tyler


“Teve Paulo durante a noite uma visão em que o Senhor lhe disse: Não temas; pelo contrário, fala e não te cales; porquanto eu estou contigo, e ninguém ousará fazer-te mal, pois tenho muito povo nesta cidade.”
Atos 18:9-10

Os fatos aqui relatados ocorreram em Corinto, cidade grega destacada pela sua riqueza e magnificência, e não menos pela luxúria e licenciosidade. Paulo parece ter sido a primeira pessoa a pregar o Evangelho naquela cidade. Sua pregação, embora tenha obtido algum sucesso imediato, encontrou violenta oposição e ele parece ter ficado por um tempo grandemente desencorajado. Ciente da sua completa insuficiência para acalmar a inimizade dos judeus, ou para conter a torrente de impiedade que prevalecia entre os gentios, ele estava quase pronto a desistir, e a procurar algum outro campo de trabalho mais promissor.

Mas Deus, que conforta os abatidos, apareceu-lhe em uma visão e prometeu estar com ele e protegê-lo. Também assegurou-lhe que, embora a situação parecesse tenebrosa e desencorajadora, os seus esforços ainda seriam coroados com significativo sucesso, pois disse-lhe: “‘tenho muito povo nesta cidade”. Encorajado por essa declaração, permaneceu lá por um ano e seis meses, e teve um papel decisivo na formação de uma grande e florescente igreja.

Em que sentido era verdade que Deus tinha muito povo em Corinto? Não em que eles fossem verdadeiros crentes, pois quando essa declaração foi feita muito poucos haviam abraçado a fé cristã. A massa do povo continuava idólatra e entregue aos mais grosseiros vícios. Mas havia muitas pessoas naquela cidade cujos nomes estavam no livro da vida, das quais Deus tinha proposto fazer troféus da Sua graça - pessoas que Deus havia dado a Cristo no pacto da redenção e que tinham sido predestinadas para a adoção de filhos.

Mas, se elas tinham sido dadas a Cristo e sido predestinadas para a vida eterna, que necessidade havia de que Paulo lhes pregasse o Evangelho, ou que algum meio fosse usado para efetivar sua conversão e salvação? Não serão salvos aqueles que Deus escolheu para a salvação? Sem dúvida que sim; mas eles não serão salvos sem a instrumentalidade dos meios, porque é parte do Seu divino propósito que eles sejam salvos desta forma. A razão pela qual Deus determinara que Paulo continuasse a pregar o Evangelho em Corinto era porque Ele tinha muitas pessoas naquela cidade. Isso foi dito para o seu encorajamento, e foi a principal fonte de encorajamento que ele teve para perseverar em seus labores. Ele sabia que essas pessoas estavam mortas no pecado. Ele sabia que todos os seus esforços para despertá-las para a vida espiritual eram totalmente impotentes; e que, por conseqüência elas iriam inevitavelmente perecer, a menos que Deus se interpusesse pela Sua graça. Quão animadora, portanto deve ter sido para ele a compreensão de que Deus não tinha destinado todos os habitantes daquela grande cidade para uma completa destruição, mas havia determinado, através da sua instrumentalidade, trazer multidões das trevas para a Sua maravilhosa luz! E essa consideração susteve Paulo não só em Corinto mas em todos os lugares onde era chamado para pregar o Evangelho, “‘Tudo suporto”, disse ele. “por causa dos eleitos, para que também eles obtenham a salvação que está em Cristo Jesus com eterna glória” (II Tm 2.10). A mesma consideração deveria nos suster e encorajar em nossos esforços para promover os interesses do reino de Cristo na terra. Eu retiro do texto, portanto a seguinte doutrina: “O fato de Deus ter um povo escolhido na terra provê o encorajamento para a pregação do Evangelho, ou para se empregar os meios para a salvação de pecadores”.

FONTE: Revista OS PURITANOS – Ano VIII – N. 01 – Janeiro/Fevereiro/Março de 2000 – Página 4.
Artigo extraído do site : www.monergismo.com

O que a Predestinação faz com o Evangelismo?

por R.C. Sproul


Esta pergunta levanta graves preocupações a respeito da missão da Igreja. É particularmente pesada para cristãos evangélicos. Se a salvação pessoal é decidida anteriormente, por um imutável decreto divino, qual é o sentido ou urgência do trabalho de evangelismo?

Nunca me esquecerei da terrível experiência de ser interrogado neste ponto pelo Dr. John Gerstner numa aula de seminário. Havia cerca de vinte de nós sentados em semicírculo numa sala de aula. Ele formulou a pergunta: “Muito bem, cavalheiros, se Deus soberanamente decretou a eleição e a reprovação desde toda a eternidade, por que estaríamos preocupados a respeito do evangelismo?”

Dei um suspiro de alívio quando Gerstner começou seu interrogatório pela ponta esquerda do semicírculo, uma vez que eu estava sentado na última cadeira à direita. Confortei-me com a esperança de que a pergunta nunca chegaria perto de mim.

O conforto foi de curta duração. O primeiro aluno replicou à pergunta de Gerstner: “Não sei, senhor. Essa pergunta sempre me perturbou”. O segundo estudante disse: “Desisto”. O terceiro estudante somente moveu a cabeça e baixou seu olhar para o chão. Em rápida sucessão, os estudantes todos passaram adiante a questão. Os dominós estavam caindo em minha direção.

“Bem, Sr. Sproul, como você responderia?” Eu queria desaparecer no ar, ou encontrar um lugar para me esconder nas tábuas do chão, mas não havia escapatória. Hesitei e balbuciei uma resposta. O Dr. Gerstner disse: “Fale!” Tentando me exprimir, eu disse: “Bem, Dr. Gerstner, sei que esta não é a resposta que o senhor está procurando, mas uma pequena razão pela qual devemos ainda estar preocupados com o evangelismo é que, bem, o senhor sabe, apesar de tudo, Jesus nos ordena que evangelizemos."

Os olhos de Gerstner começaram a inflamar-se. Ele disse: “Ah, entendo, Sr. Sproul! Uma pequena razão é que o seu Salvador, o Senhor da Glória, o Rei dos reis, ordenou isso. Uma pequena razão, Sr. Sproul? É quase insignificante para você que o mesmo Deus soberano, que soberanamente decreta sua eleição, também ordena soberanamente seu envolvimento na tarefa do evangelismo?” Como eu desejaria nunca ter usado a palavra pequena! Entendi o ponto de Gerstner.

Evangelismo é nosso dever. Deus ordenou. Isso deveria ser suficiente para encerrar a questão. Mas há mais. Evangelismo não é somente um dever; é também um privilégio. Deus nos permite participar da maior obra da história humana, a obra da redenção. Ouça o que Paulo diz sobre isso. Ele acrescenta o capítulo 10 ao seu famoso capítulo 9 de Romanos.

Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão se não há quem pregue? E como pregarão se não foram enviados? Como está escrito: Quão formosos sãos os pés dos que anunciam coisas boas! (Rm 10.13-15).

Notamos a lógica da progressão de Paulo aqui. Ele lista uma série de condições necessárias para as pessoas serem salvas. Sem que se enviem, não há pregadores. Sem pregadores, não há pregação. Sem pregação, ninguém ouve o Evangelho. Sem ouvir o Evangelho, ninguém crê no Evangelho. Sem crer no Evangelho, ninguém invocará a Deus por salvação. Sem invocar a Deus por salvação, não há salvação.

Deus não somente preordena o fim da salvação para os eleitos, Ele também preordena o meio para aquele fim. Deus escolheu a loucura da pregação como o meio para obter a redenção. Suponho que Ele poderia ter estabelecido seu propósito divino sem nós. Ele poderia ter publicado seu Evangelho nas nuvens, usando seu santo dedo para escrever no céu. Poderia, Ele mesmo, pregar o Evangelho, com sua própria voz, gritando do céu. Mas essa não é sua escolha.

É um privilégio maravilhoso ser usado por Deus em seu plano de redenção. Paulo apela para uma passagem do Antigo Testamento, em que fala da beleza dos pés que trazem boas-novas e publicam a paz.

Que formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, que anuncia coisas boas, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina! Eis o grito dos teus atalaias! Eles erguem a voz, juntamente exultam; porque com seus próprios olhos distintamente vêem o retorno do Senhor a Sião. Rompei em júbilo, exultai a uma, ó ruínas de Jerusalém; porque o Senhor consolou o seu povo, remiu a Jerusalém. (Is 52.7-9).

No mundo antigo, noticias de batalhas e outros acontecimentos cruciais eram levados por corredores. A maratona moderna deve seu nome à Batalha de Maratona, por causa da resistência do mensageiro que levou as notícias do resultado para seu povo, na cidade natal.

Vigias eram colocados para observar os mensageiros que se aproximavam. Seus olhos eram aguçados e treinados para distinguir as sutis nuanças dos passos dos corredores que se aproximavam. Os que traziam más noticias aproximavam-se com pés pesados. Os corredores que traziam boas notícias aproximavam-se velozmente, com pés ligeiros na areia. Seus passos revelavam sua excitação. Para o vigia, a visão de um corredor aproximando-se a distância com seus pés voando sobre as montanhas era uma visão esplêndida de se contemplar.

Assim, a Bíblia nos fala da beleza dos pés daqueles que nos trazem as boas-novas. Quando minha filha nasceu, e o médico veio até a sala de espera para anunciar, eu queria abraçá-lo. Somos favoravelmente inclinados àqueles que nos trazem boas noticias. Sempre terei um lugar especial nas minhas afeições para o homem que primeiro me falou de Cristo. Eu sei que foi Deus quem me salvou, e não aquele homem, mas ainda assim aprecio o papel daquele homem na minha salvação.

Levar pessoas a Cristo é uma das maiores bênçãos pessoais que desfrutamos. Ser um calvinista não tira a alegria dessa experiência. Historicamente, os calvinistas têm sido fortemente ativos no evangelismo e nas missões mundiais. Temos somente que mencionar Edwards e Whitefield e o Grande Avivamento para ilustrar este ponto.

Temos um papel significativo a desempenhar no evangelismo. Pregamos e proclamamos o Evangelho. Esse é nosso dever e nosso privilégio. Mas é Deus quem traz o crescimento. Ele não precisa de nós para cumprir seu propósito, mas Ele se agrada de nos usar nessa tarefa.

Uma vez encontrei um evangelista viajante que me disse: “Dê-me um homem sozinho por quinze minutos, e eu conseguirei uma decisão por Cristo.” Tristemente, o homem cria realmente em suas próprias palavras. Ele estava convencido de que o poder da conversão estava somente em seus poderes de persuasão.

Não duvido de que o homem estava baseando sua alegação em seu registro do passado. Ele era tão arrogante que estou certo de que houve multidões que fizeram decisão por Cristo nos quinze minutos que ficaram sozinhos com ele. É claro, ele podia cumprir sua promessa de produzir uma decisão em quinze minutos. O que ele não podia garantir era uma conversão em quinze minutos. As pessoas faziam decisão só para ficarem livres dele.

Nunca devemos subestimar a importância de nosso papel no evangelismo. Também não podemos superestimá-lo. Nós pregamos. Damos testemunho. Fornecemos o chamado exterior. Mas só Deus tem o poder de chamar uma pessoa para si mesmo interiormente. Não me sinto traído por isso. Ao contrário, sintome confortado. Precisamos fazer nosso trabalho confiando que Deus fará o dele.


Fonte: Eleitos de Deus, R.C. Sproul - Editora Cultura Cristã

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Predestinação e evangelismo

O Lugar da Missão na Predestinação
Rev. Antônio José do Nascimento

Esta pergunta levanta graves preocupações a respeito da missão da Igreja. Se a salvação pessoal é decidida anteriormente, por um imutável decreto divino, qual é o sentido ou a urgência do trabalho de evangelismo?

Imaginemos um cristão fazendo a seguinte pergunta: Se Deus soberanamente decretou a eleição dos seus escolhidos desde toda a eternidade, por que estaríamos preocupados a respeito do evangelismo? O fato digno de maior significação para todos nós é que o mesmo Deus soberano que decreta e escolhe os salvos desde a eternidade, é também o mesmo Deus que soberanamente ordena a Sua Igreja a cumprir fielmente a tarefa de pregar o evangelho a todos as pessoas e povos do mundo (Mateus 28.19; Marcos 16. 15; Atos l.8). Como nós não sabemos quem são os eleitos de Deus, então deveremos pregar a todos, na certeza de que os escolhidos, uma vez que ouçam o evangelho, haverão de aceitá-lo em seus corações (Atos 13.48; Atos 16.14, 15). Tem-se generalizado em nossos dias uma falsa verdade quando se afirma que uma fé sólida na soberania de Deus tende a minar qualquer sentimento adequado da responsabilidade humana. Alguns imaginam que a crença na predestinação paralisa a evangelização, todavia, isto não é verdade. A escolha de Deus não está atrelada às nossas virtudes pessoais, e sim somente a vontade soberana d'Ele (Deuteronôrnio 7.6-8; João 15.16; Romanos 8.29, 30; Efésios 1.4,11; Filipenses 2.13).

O resultado do gigantesco plano eterno de Deus é a glorificação de Seu próprio nome e pessoa. O manancial de onde tem fluído e fluirá toda essa atividade salvadora é o próprio amor de Deus. O apóstolo Paulo apresenta o plano inteiro, do começo ao fim, falando do seu estágio final no tempo passado, para mostrar que, visto que Deus está decidido a fazê-lo, o estágio final é visto como se já estivesse terminado: "Porquanto aos que de antemão conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também glorificou” (Rom. 8.29,30).

No kairós(1) de Deus na eternidade, quando Ele nos escolheu para sermos salvos por Cristo (II Timóteo 1.9; I Pedro 1.20), Ele também nomeou Seu Filho para tornar-se homem e ser o nosso remidor (Il Timóteo 1.10; I Pedro 1.20). E, na plenitude do tempo, o Filho de Deus veio ao mundo (Gálatas 4.4), especificamente conforme o testemunho d'Ele mesmo, para cumprir o plano eterno - para morrer e dar a sua vida em favor de todos aqueles que o Pai lhe deu (João 6.39; 10.29; 17.2,24). Pelos eleitos Jesus declarou: “As ovelhas que o Pai me deu, ninguém as arrebatará da minha mão" (João 10.28-29).

Em Cristo, o Senhor.

Fonte : www.eleitosdedeus.org

(1)-Kairos (καιρός) é uma antiga palavra grega que significa "o momento certo" ou "oportuno". Os gregos antigos tinham duas palavras para o tempo: chronos e kairos. Enquanto o primeiro refere-se ao tempo cronológico, ou sequencial, esse último é um momento indeterminado no tempo em que algo especial acontece. É usada também em teologia para descrever a forma qualitativa do tempo, o "tempo de Deus", enquanto chronos é de natureza quantitativa, o "tempo dos homens".
Em Sintese pode-se dizer que o tempo humano (medido) é descrito em horas e suas divisões e anos em suas divisões. Enquanto que o termo Kairós que descreve "o tempo de Deus" não pode ser medido e sim vivido...

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Por quem Cristo morreu ?

1 João 2:1-2

por John Owen

"Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo". (1 João 2:1-2)

Esta é outra passagem das Escrituras freqüentemente usada por aqueles que iriam argumentar que morte de Cristo é para todos e cada um dos homens. Diz-se que a expressão "todo o mundo" tem que significar "todas as pessoas do mundo", e que a expressão contrastante "não somente pelos nossos" inclui, deliberadamente, todos e cada um dos homens como aqueles pelos quais Cristo morreu, além dos crentes.

Eu poderia responder isso abreviadamente, dizendo que como em outras passagens "o mundo" significa "as pessoas que vivem no mundo"; assim "todo o mundo", não significa mais do que "pessoas vivendo em todo o mundo", como é mencionado em Apocalipse 5.9, a respeito dos redimidos. Mas visto que esse texto em 1 João é tão usado, vou sugerir que se faça um estudo mais detalhado, usando para isso quatro perguntas.

A quem João está escrevendo? Embora seja verdade que as Escrituras são para toda a Igreja, contudo, muitas de suas partes foram escritas a determinadas pessoas em particular. Tais partes devem ser entendidas à luz dessa verdade. Notemos portanto que:

João foi especialmente um apóstolo aos judeus – Gálatas 2.9

Ele escreveu àqueles que ouviram previamente a Palavra de Deus (1 João 2.7) e nós sabemos que a Palavra de Deus era "primeiro ao judeu".

...o contraste que João fez entre "nós" e "o mundo" deixa claro que ele escreve àqueles que, como ele mesmo, eram judeus.

...João freqüentemente adverte contra os falsos profetas por exemplo, 1 João 2.19. Visto que ele escreveu que tais mestres "saíram de nós", ele está obviamente escrevendo aos seus compatriotas.

Lembrando a aversão nacional dos judeus contra todos os gentios e a opinião judaica de que só a nação deles constituía o povo de Deus, o que poderia ser mais natural do que João enfatizar que Jesus morreu não somente pelos judeus crentes, e sim por todos os crentes espalhados pelo mundo inteiro? Temos um outro versículo das Escrituras que enfatiza a mesma coisa: João 11.52. João está claramente desejando evitar que os judeus-cristãos caiam no velhor erro de supor que eles são os únicos cristãos. João insiste em que havia gentios cristãos, também, no mundo inteiro. Não há aqui uma doutrina no sentido de que Cristo morreu por todos os homens.

Por que João estava escrevendo? Ele escreveu para confortar os crentes angustiados por seus pecados, a fim de que eles não se desesperassem. "Se alguém pecar..." Daí, observamos que:

...somente os crentes seriam confortados pelo fato de Cristo ser o seu advogado.

...somente os crentes podem ser confortados; os incrédulos estão sob a ira de Deus.

...João descreve como "filhinhos... cujos pecados são perdoados".

Em outras palavras o alvo de João se aplica somente aos crentes. Como pode servir de conforto aos crentes, dizer-lhes que Cristo morreu por todos e por cada um dos homens, muitos dos quais não são salvos? Este versículo não oferece nenhum conforto, a menos que seja entendido como significando que Cristo é o Salvador de todos os crentes em qualquer parte do mundo.

Qual é o significado de "propiciação"? A palavra grega aqui traduzida como propiciação está relacionada com a palavra traduzida como "propiciatório", em Hebreus 9.5. Isso nos dá um entendimento do significado da palavra. O "propiciatório" era a sólida placa de ouro usada para cobrir a arca na qual estavam as tábuas da lei (Êxcdo 25.17-22). A lei, que acusava os homens de serem pecadores, estava escondida pelo propiciatório. Essa era uma ilustração de como Jesus Cristo, pela Sua morte, escondeu a lei de Deus, de modo que ela não pode acusar nenhum daqueles que crêem nEle. Jesus é a propiciação (propiciatório) do crente. Poderia ser dito que todos e cada um dos que estão no mundo são livres de serem condenados como pecadores? Poderia ser realmente discutido que Cristo é a propiciação de todo o mundo, nesse sentido?

Qual é, então o significado de "todo o mundo"? Esta frase ocorre várias vezes no Novo Testamento, e freqüentemente não significa todos e cada um dos homens. Por exemplo:

Lucas 2.1 – Mas o alistamento somente aconteceu no Império Romano.

Romanos 1.8 – Mas muitas partes do mundo não tinham ouvido a respeito da igreja de Roma naquele tempo.

Colossenses 1.6 – Mas muitas partes do mundo ainda não haviam recebido o evangelho.

Apocalipse 3.10 – O mundo inteiro deve sofrer – mas isso não significa todos, sem exceção, pois alguns serão preservados disso.

Nessas e em outras passagens, todo o mundo significa nada mais que muitas pessoas, indefinidamente.

Além disso, em certos versículos das Escrituras, frases como "toda a carne" significam nada mais que todos os tipos de pessoas, como por exemplo: Salmo 98.3; Joel 2.28 (cumprida em Atos 2.17).

Algumas vezes, de fato, o mundo significa todos¸exceto os crentes, como por exemplo: 1 João 5.19; Apocalipse 12.9.

Esses exemplos nos mostram, claramente, que não é essencial entender a expressão "todo o mundo" como sentido de "todos inclusive". O sentido não precisa ser outro senão o que o contexto da expressão sensatamente permite.

Concluo que esta passagem das Escrituras se refere à obra de Cristo para todos os crentes, judeus e gentios, igualmente. A passagem diz que Cristo é verdadeiramente a propiciação deles. Ninguém argumenta com seriedade que todos os homens, em todos os lugares, são realmente salvos por Cristo. Também de nada adianta sugerir que Cristo é uma propiciação suficiente para todos e cada um dos homens. Jacó não teria sido confortado pelo simples fato de ouvir dizer que havia bastante trigo no Egito. Ele teria morrido de fome se o trigo não houvesse se tornado possessão dele. Da mesma maneira, Cristo só pode ser um conforto para aqueles que, em todo o mundo, são realmente salvos.

Extraído do livro Por Quem Cristo Morreu?, de Jown Owen - Editora PES

Por Quem Cristo Morreu?

por John Owen

O Pai impôs Sua ira devido a, e o Filho suportou o castigo por, um dos três:

1. Todos os pecados de todos os homens.
2. Todos os pecados de alguns homens, ou
3. Alguns dos pecados de todos os homens.

No qual caso pode ser dito:

a. Que se a última opção for a verdadeira, todos os homens têm alguns pecados pelos quais responder, e assim, ninguém será salvo.
b. Que se a segunda opção for a verdadeira, então Cristo, no lugar deles sofreu por todos os pecados de todos os eleitos no mundo inteiro, e esta é a verdade.
c. Mas se a primeira opção for o caso, porque nem todos os homens são livres do castigo devido para os seus pecados?

Você responde: Por causa da incredulidade. Eu pergunto: Esta incredulidade é um pecado, ou não é? Se for, então Cristo sofreu o castigo devido por ela, ou não. Se Ele sofreu, por que este pecado deve impedi-los mais do que os seus outros pecados pelos quais Ele morreu? Se Ele não sofreu por tal pecado, Ele não morreu por todos os seus pecados!

Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto
Fonte : www.monergismo.com

O Pecado da Incredulidade

por Thomas Goodwin


Entre os que se professam "cristãos", há três pontos de vista em relação à morte de Cristo. Crê-se que Cristo morreu por uma das seguintes razões:

1. Pelos pecados de todos os homens;
2. Por todos pecados de alguns homens;
3. Por alguns pecados de todos os homens.

A terceira razão deve ser incompatível a todo cristão, pois, se a propiciação cobriu somente alguns pecados, então todos teríamos pecado não cobertos e terminaríamos condenados irremediavelmente.

A segunda razão é chamada às vezes de o ponto de vista "calvinista" e ensina que há uma salvação eficaz para somente algumas pessoas eleitas.

A primeira razão é a idéia de uma propiciação universal. Esta tem certos problemas lógicos, porém pelo fato de a maioria dos cristãos não se sentirem cômodos com a idéia de uma salvação pela metade (a terceira razão), e não quererem admitir que Deus é o que decide quem deles serão salvos e quem não, então se contentam em crer que Cristo morreu por todos os pecados de todos os homens.

O problema está em explicar como é que muitas pessoas cujos pecados foram propiciados finalmente terminam no inferno. Se Cristo morreu por todos os pecados de todos os homens, então todos os homens, sejam budistas, muçulmanos, hindus, católicos, protestantes, etc., devem ir ao céu.

Alguém pode contestar que a resposta ao problema é a falta de fé ou, em outras palavras, a incredulidade. Porém o problema aqui é que a incredulidade é também um pecado, e é o mais horrível de todos os pecados.

Se Cristo morreu por todos os pecados, então morreu pelo pecado da incredulidade também. Porém se morreu para propiciar todos os pecados menos o da incredulidade, então estamos dizendo que morreu somente por alguns pecados de todo o mundo. Porém se Cristo morreu por todos pecados, e se morreu por todos os homens, então morreu por todos os pecados de todos os homens, incluindo a incredulidade deles.

No fundo, o problema que temos, que não nos deixa resolver o dilema com a doutrina da propiciação, está ligado com nossa filosofia moderna relacionada com o homem e seus "direitos". O lema político moderno nos tem pregado liberdade, comida e educação para todos. Por causa disso, a idéia de um Deus que é o fator determinante de tudo não é bem aceita pelo homem moderno. Tem sido ensinado nas escolas que se devem tolerar distinções de pessoas nesta vida, e por isso supomos que não deve haver distinções de posições na vida espiritual. Se cremos na liberdade para todos no mundo, porque não crer na propiciação para todos para ir ao céu ?

Porém Deus não governa o universo como uma democracia. A salvação, ao contrário da liberdade política, não é um direito que podemos reclamar. O grito "dêem-nos uma oportunidade a todos por igual" é um lema bonito para ser apresentado em um motim político. Porém não deve se dizer isso diante de Deus. Não nos acercamos ao Soberano do universo como cidadãos que demandam direitos. Nos acercamos como rebeldes violentos, réus dignos de morte e insolentes; que temos pisoteado Sua vinha, atacado Seus obreiros, e assassinado a Seu Filho. Não há sequer um de nós, que mereça ser perdoado; e se Deus fosse perdoar a alguns dos culpados, poderiam os outros culpados queixar-se ?

Aos homens não se tem dado uma "oportunidade" de salvar-se. Em vez de dar-lhes oportunidades, é-lhes dada a graça. Recebem de Deus "graça", não "direitos". Nós devemos permanecer maravilhados ante tão grande misericórdia. Porém alguns soberbamente demandam que Deus dê a graça a todos por igual. Porém Deus não está sujeito à constituição de nenhum país.

A Bíblia nos diz, antes da morte de Cristo, que Ele viria para "salvar Seu povo de seus pecados". Durante Seu ministério na terra, Ele proclamou constantemente que havia vindo para um grupo especial de pessoas, que Ele chamou, Suas "ovelhas" que são distintas de outras que não são ovelhas (veja João 10).

Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto - Cuiabá-MT
Fonte : www.monergismo.com

quinta-feira, 3 de junho de 2010

A Doutrina Esquecida

Excelente vídeo do Pr. Paul Washer sobre a importante doutrina bíblica da regeneração em contraste com o "evangelismo" moderno da grande maioria das igrejas atuais.



Sola scriptura, sola gratia, sola fide, solus Christus, soli Deo gloria !

As Implicações do Livre-Arbítrio

por Charles Haddon Spurgeon


De acordo com o esquema do livre-arbítrio, o Senhor tem boas intenções, mas precisa aguardar como um servo, a iniciativa de sua criatura, para saber qual é a intenção dela. Deus quer o bem e o faria, mas não pode, por causa de um homem indisposto, o qual não deseja que sejam realizadas as boas coisas de Deus. O que os senhores fazem, senão destronar o Eterno e colocar em seu lugar a criatura caída, o homem ?

Pois, de acordo com essa teoria, o homem aprova, e o que ele aprova torna-se o seu destino. Tem de existir um destino em algum lugar; ou é Deus ou é o homem quem decide. Se for Deus Quem decide, então Jeová se assenta soberano em seu trono de glória, e todas as hostes Lhe obedecem, e o mundo está seguro. Em caso contrário, os senhores colocam o homem em posição de dizer: "Eu quero" ou "Eu não quero. Se eu quiser, entro no céu; se quiser, desprezarei a graça de Deus. Se quiser, conquistarei o Espírito Santo, pois sou mais forte do que Deus e mais forte que a onipotência. Se eu decidir, tornarei ineficaz o sangue de Cristo, pois sou mais poderoso que o sangue, o sangue do próprio Filho de Deus. Embora Deus estipule Seu propósito, me rirei desse propósito; será o meu propósito que fará o dEle realizar-se ou não".

Senhores, se isto não é ateísmo, é idolatria; é colocar o homem onde Deus deveria estar. Eu me retraio, com solene temor e horror, dessa doutrina que faz a maior das obras de Deus - a salvação do homem - depender da vontade da criatura, para que se realize ou não. Posso e hei de me gloriar neste texto da Palavra, em seu mais amplo sentido: “Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia” (Romanos 9:16).



Fonte: Revista Fé para Hoje - Editora Fiel.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A Providência de Deus

Série de estudos - Final

7 - A Importância da Providência

Fonte : www.monergismo.com

por Matt Perman

A Teologia é especialmente importante por ser o fundamento de nossa adoração, obediência e alegria. Se tentarmos ser práticos sem uma base doutrinária verdadeira e sólida, decerto falharemos redondamente. A Providência de Deus é uma das mais significativas verdades bíblicas e teológicas. De fato, existem muitas aplicações práticas desta crença que Deus, em Sua Providência, está no controle de todas as coisas. Por vezes questiona-se: “É realmente importante que se entenda e se creia na Providência de Deus?”. Como resposta, eu ofereço as seguintes aplicações. Creio que elas falam por si mesmas.

Entender a Providência gera em nós um profundo senso de gratidão a Deus por todas as coisas – incluindo o amor e a fé que a Ele direcionamos – pelo fato de todas as coisas serem d'Ele (v. Rm 11.36 e Tg 1.18). Assim como também deveria produzir em nós um certo temor piedoso e uma reverência a Deus em nossos corações – por ser Ele quem efetivamente está no controle, e não nós. Ele está sobre o trono diante do qual devemos nos prostrar. Mas não apenas isto, saber que este Deus é tão preocupado com a Sua criação e que, em Sua sabedoria, Ele está governando todas as coisas para a Sua glória maior e para o bem maior de Seu povo, também deveria trazer-nos grande alegria.

O conhecimento da Providência deveria nos manter longe do desespero e, em vez disso, dar-nos paciência e conforto, força e esperança nos sofrimentos e adversidades pelas quais passamos, por sabermos que toda dor tem um propósito. Em verdade, Deus só permite que males ocorram aos seus filhos para que um bem maior lhes seja assim produzido. Destarte, o controle de Deus sobre os eventos maus em nossas vidas é realmente amoroso, e não vingativo. Por nada poder nos ocorrer sem que passe pelas mãos amorosas de Deus, em todos os males que nos sobrevêm, podemos ter a confiança de José, de que “Deus transformará o mal em bem”(cf. Gn 50.20), e adorarmos como Jó: “... e ele lançou-se em terra e adorou. E disse, ‘... O Senhor o deu e o Senhor o tomou. Bendito seja o nome do Senhor’” (Jó 1.20-21). Isto deveria destruir toda lamúria e amargura e, pelo contrário, dar-nos grande esperança e regozijo. Margaret Clarkson disse: “A Soberania de Deus é a rocha inexpugnável à qual o coração humano sofredor deve se agarrar. As circunstâncias que cercam nossas vidas não são acidentes; podem ser obras malignas, mas esses males permanecem firmemente sob o controle das mãos poderosas do nosso Deus soberano... Todo mal está sujeito a Ele, e mal algum pode tocar Seus filhos a menos que Ele próprio permita” .

Nós jamais estamos à mercê das circunstâncias ou das pessoas. Se as pessoas ameaçam nos prejudicar ou aqueles que possuem autoridade sobre nós agem injustamente para conosco, podemos encontrar a alegria no fato de que, em última análise, Deus está trabalhando para produzir um bem maior. Mais ainda, podemos ter efetivamente um grande incentivo para agir a fim de melhorar nossas circunstâncias, pois sabemos que Deus pode levar as pessoas a cumprirem a Sua vontade.

Quando o mundo parece seguir desgovernado ao nosso redor, podemos ter paz e confiarmos em Deus por sabermos que Ele realizará todos os Seus propósitos. Nenhum deles falhará (v. Jó 42.2 e Is 46.10), porque tudo está debaixo do Seu controle e prosseguindo consoante o Seu plano (cf. Ef 1.11). Isto também deveria nos dar um grande encorajamento e confiança para que orássemos. Por Deus poder realizar aquilo que Lho peçamos. Por mais estressantes, confusas ou difíceis que as coisas pareçam ser, precisamos jamais nos deixar dominar pelo abatimento, visto que Deus está no controle.

Se acreditamos na Providência, podemos nos maravilhar com a grandiosidade da sabedoria de Deus, visto que Ele opera juntamente todas as coisas para a Sua glória e para o bem do Seu povo (Rm 8.28) – não somente apesar da oposição, mas mesmo pela oposição ao Seu povo. Ele faz o mal sair pela culatra e faz com que Satanás continuamente atire em seu próprio pé quando tenciona algum mal contra os santos de Deus, visto que a intenção de Deus é, por fim, trazer-lhes benefícios. Esta é a maravilhosa sabedoria pela qual glorificamos a Deus!

Devido a isso, nós podemos ter uma alegre confiança em Deus quanto ao nosso futuro. Longe da Providência ser uma doutrina desencorajadora, ela nos liberta para que obedeçamos a Deus com confiança e segurança – mesmo quando a obediência parece ser arriscada ou “tola” pelos padrões do mundo. Saber que Deus está no controle nos encoraja a obedecê-lO a despeito dos perigos, para a Sua glória. Em todas as coisas, podemos ter grande coragem e ousadia.

Entender a Providência é também muito importante para a humildade. Daniel 4.35 é um verso chave acerca do controle de Deus sobre todas as coisas: “Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: ‘Que fazes?’”. Este verso é especialmente significativo à luz do contexto do capítulo inteiro. Deus havia revelado a Nabucodonosor, através de um sonho, que o seu reino lhe seria tomado. Por que Deus estava fazendo isto, afinal? Porque Nabucodonosor era orgulhoso. E por que Deus via Nabucodonosor como orgulhoso? Porque ele não reconhecia que “o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer” (v. 25). O reino de Nabucodonosor não seria restaurado até que ele compreendesse que “o céu domina” (v. 26). Logo, o conhecimento da Providência absoluta de Deus parece ser importante para a humildade.

Somente depois de Nabucodonosor ser humilhado é que ele veio a compreender que Deus estava no controle e fez aquela declaração registrada no verso 35, citado acima. Deveras, a atitude de Nabucodonosor diante de Deus em Sua soberana majestade deveria ser compartilhada por todos nós: “Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, exalto, e glorifico ao Rei do céu, pois todas as suas obras são verdadeiras, e os seus caminhos, justos, e pode humilhar os que andam na soberba” (v. 37).

Por todas estas coisas, um coração sensível e crente na providência de Deus nos fará pessoas mais fortes. Não obstante, talvez mais importante ainda seja o fato de que a verdade da Providência glorifica grandemente a Deus e O exalta em Sua supremacia. Uma negação dela envolve uma redução da visão que nutrimos em nossos corações acerca da supremacia de Deus, visto que não mais O veremos como alguém autoritativo sobre todas as coisas e que, com a Sua sabedoria, mantém a Sua criação debaixo do Seu controle. Aceitar a verdade da Providência, por outro lado, provê um incentivo poderoso para adorarmos. John Piper dá uma ilustração da alma humana como se ela fosse uma fornalha de adoração, com o Espírito Santo trazendo o fogo, uma visão adequada de Deus servindo de combustível, e a adoração sendo o calor resultante do nosso amor, expresso no louvor a Deus. Se tivermos uma visão deficiente sobre Deus, nossa adoração também será deficiente em virtude do “combustível” ser fraco. Mas, se tivermos uma visão exaltada sobre Deus, decerto nossa adoração virá a ser fervorosa. Como J.B.Moody disse “Pelo fato da adoração verdadeira ser baseada na grandiosidade reconhecida, e a grandiosidade ser vista supremamente na Soberania, em nenhuma outra base os homens adorarão realmente”.

SOLI DEO GLORIA !

A Providência de Deus

Série de estudos

6 - Providência e Restrição do Pecado

Rev. Ronald Hanko

Fonte : www.monergismo.com
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

Em sua providência, Deus controla e dirige todas as coisas que
acontecem. Mesmo as vidas dos homens, em cada detalhe, estão sob esse
controle soberano de Deus. “Ele opera”, como Nabucodonosor disse,
“segundo a sua vontade… com o exército do céu e os moradores da terra”
(Daniel 4:35). Por sua providência, portanto, Deus também controla e dirige
as ações pecaminosas dos homens, como é evidente a partir do exemplo de
Nabucodonosor e outros (1Sm. 2:25; 2Sm. 16:10; 2Sm. 24:1; 1 Reis 22:19-22;
Atos 2:23; Rm. 9:18). Incluso nessa obra soberana e providencial de Deus está
uma restrição do pecado. Deus, por providência, restringe de muitas formas
diferentes a impiedade dos homens.
A Escritura nos dá muitos exemplos dessa restrição do pecado. Gênesis
6:3 é o primeiro exemplo na Escritura. Ali Deus restringiu o pecado
diminuindo a longevidade do homem. Ele também restringiu o pecado no
tempo da torre de Babel, ao mudar o idioma dos homens. Passagens que
falam de Deus entregar alguém ao pecado implicam uma restrição prévia de
algum tipo (Sl. 81:11, 12; Atos 7:42; Rm. 1:24-28).
Muitos citam essas passagens como exemplos da assim chamada graça
comum. Que Deus restringe o pecado do homem, dizem eles, é evidência de
uma disposição graciosa de Deus para com todos os homens. Alguns até
mesmo diriam que essa graça comum é o resultado de uma obra não-
salvadora de Deus no coração, mente e vontade do homem, que deixa o
homem menos que totalmente depravado; e que prepara o caminho para o
evangelho, tornando possível para um homem aceitar ou rejeitar o evangelho
como uma oferta de graça salvadora.
Que existe tal restrição do pecado, contudo, não prova que isso seja
uma questão de graça. A questão “Como e por que o pecado é restringido?”
ainda deve ser levantada.
A Escritura claramente ensina que essa restrição do pecado é realizada
somente pelo poder de Deus, não por qualquer operação graciosa do Espírito
operando alguma mudança na natureza depravada do homem. Portanto, ela é
semelhante a colocar uma focinheira num cão violento.
Ela o impede de morder, mas não faz nada para
recuperá-lo de sua raiva. Dessa forma Deus
usa muitas coisas, especialmente o temor das conseqüências, para restringir a
impiedade dos homens sem mudar seus corações. Um dos melhores exemplos
de uma restrição soberana, mas não-graciosa, é encontrada em Isaías 37:29,
onde Deus diz ao rei da Assíria: “Eis que porei o meu anzol no teu nariz, e o
meu freio, na tua boca, e te farei voltar pelo caminho por onde vieste”. Não
há nada gracioso nisso!
Essa mesma passagem de Isaías nos lembra do propósito dessa
restrição. Ela não tem o outro propósito senão a proteção e preservação do
povo de Deus no mundo.
As operações comuns da providência de Deus não são uma graça
comum. Graça é o poder pelo qual Deus salva pessoas (Ef. 2:8-10). Não existe
outro tipo de graça além da graça maravilhosa, impressionante e salvadora.
Louvado seja Deus por isso!

Fonte (original): Doctrine according to Godliness,
Ronald Hanko, Reformed Free Publishing
Association, p. 96-98.

sábado, 1 de maio de 2010

A Providência de Deus

Série de estudos

5 - Providência e “Graça Comum”

Rev. Ronald Hanko

Fonte : www.monergismo.com
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

Em sua providência, Deus provê a todas as suas criaturas (Atos 17:25).
Isso significa que Deus dá muitas dádivas aos ímpios, incluindo não somente a
chuva e a luz do sol, alimento e abrigo, vida e respiração, mas também uma
mente racional, uma vontade e um espírito.
Muitos concluem a partir disso que Deus ama os ímpios e é gracioso
para com eles. Essas coisas, dizem eles, são a “graça comum” de Deus, sua
graça para todos, uma graça que não os leva à salvação, mas que lhes é todavia
um testemunho do favor e amor de Deus por eles. Uma providência comum,
contudo, não é a mesma coisa que uma graça comum, e as duas não deveriam
ser confundidas. Em nenhum momento a Bíblia usa a palavra graça para
descrever essas operações comuns da providência de Deus.
Isso não é negar que as dádivas que Deus dá aos ímpios são dádivas
boas (Tiago 1:17). Mas porque Deus lhes dá muitas boas dádivas não significa
que ele os ama ou é gracioso para com eles. Dizer que Deus dá boas dádivas
aos ímpios não diz nada sobre o porquê Deus dá essas dádivas. A Bíblia ensina
que ele tem outras razões que amor ou misericórdia ao dar boas dádivas aos
ímpios. Ele lhes dá essas dádivas em sua ira, como uma armadilha para eles
(Sl. 11:5,6; Pv. 14:35; Rm. 11:9), para maldição (Pv. 3:33) e para sua destruição
(Sl. 92:7). Por essas dádivas ele coloca-os em lugares escorregadios e os faz cair na
destruição (Sl. 73:18 no contexto dos versículos 3-7). Isso é claramente visto na
forma como os ímpios usam as dádivas para pecarem contra Deus e se
fazerem dignos de condenação.
Isso é tão verdadeiro que somos até mesmo ordenados na Escritura a
imitar Deus em nossos comportamentos para com os nossos inimigos – fazer-
lhes o bem, e fazer isso no entendimento que se eles não se arrependerem e
crerem, nossas boas obras serão para destruição e condenação deles (Rm.
12:20,21).
Não deveria nos surpreender que uma dádiva que é em si mesma boa
possa ser dada para tais razões. Se um pai der ao seu filho pequeno uma faca
de açougueiro afiada como uma navalha – algo que é indispensável na cozinha
– certamente questionaríamos se ele está dando tal “boa dádiva” em amor
e misericórdia. A criança certamente usará incorretamente a mesma para a sua
própria destruição, assim como os ímpios fazem com cada uma das boas
dádivas que Deus lhes dá.
De qualquer forma, talvez o maior perigo no ensino da graça comum é
que ela destrói nosso conforto em Deus. Se a chuva e a luz do sol, a saúde e a
vida, são graça, o que devemos concluir quando Deus nos envia o oposto:
doença, pobreza, aridez ou morte? Essas coisas são sua maldição? Ele as envia
porque nos odeia? Se a graça está nas “coisas boas”, não temos graça quando
Deus não nos envia essas coisas boas? Não devemos antes concluir isso: que
tudo o que ele envia a nós, seu povo, quer saúde ou doença, pobreza ou
prosperidade, vida, ou morte, ele nos envia em amor e graça e para o nosso
bem (Rm. 8:58), mas que tudo o que ele envia aos ímpios, mesmo que em si
mesmas sejam “boas”, é todavia para a condenação deles? De outra forma,
como seríamos confortados em todas as nossas tristezas e aflições?

Fonte (original): Doctrine according to Godliness, Ronald Hanko,
Reformed Free Publishing Association, p. 95-96

sábado, 24 de abril de 2010

A Providência de Deus

Série de estudos
4 - A Providência Todo-Abrangente de Deus

Rev. Ronald Hanko

Fonte : www.monergismo.com
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

Deve ser enfatizado tão fortemente quanto possível que a providência
de Deus é sobre todas as coisas na terra, no céu e no inferno. Isso é
simplesmente outra forma de dizer que Deus é soberano. A Escritura ensina
que ele soberanamente governa:
a - Anjos (Sl. 103:20,21).
b - Demônios (Jó 1:12; Jó 2:6).
c - Todos os homens (Jr. 10:23; Atos 17:28)
d - Os corações dos homens (Pv. 21:1).
e - As ações dos homens (Pv. 16:9).
f - Os pensamentos e palavras dos homens (Pv. 16:1).
g - Os atos pecaminosos de todos os homens (Sl. 33:10; Pv. 16:4;
Amós3:6; Atos 2:23).
h - Os pecados do seu povo (Is. 63:17).
i - O endurecimento dos corações dos homens no pecado (Êx.
4:21; Rm. 9:18).
j - O tempo e as estações (Atos 14:17).
l - As estrelas e os planetas (Sl. 104:19).
m - As grandes coisas da criação (Jr. 5:24; Dn. 4:35).
n - As coisas menores e mais insignificantes (Mt. 10:29,30).
o - Os assim chamados desastres naturais e eventos desagradáveis
(Sl. 105:29; Sl. 148:8).
p - A guerra e a paz (Is. 45:7).
q - A vida e a morte (Gn. 4:1; Sl. 31:15; Sl. 104:28,29).
r - Todas as coisas (Sl. 103:19).
Contudo, a providência de Deus não é somente seu governo. Não
esqueçamos que ele também traz todas as coisas à existência, dirige e controla-
as, e usa todas elas para realizar seu propósito e beneplácito (Êx. 3:19,20; Is.
44:28; Is. 46:9,10; Ef. 1:5; Fp. 2:13).
Isso é tanto o mistério como o milagre da providência. É um mistério
que Deus use todas as coisas, incluindo a impiedade e aqueles que praticam o mal, sem ser ele mesmo responsável pela impiedade. É um milagre da graça
que ele soberanamente use todas as coisas para a salvação dos seus e para o
bem daqueles que o amam e que são chamados segundo o seu propósito. Ele
faz isso por causa de Cristo, que sofreu, morreu e ressuscitou pelos pecados
do seu povo.


Fonte (original): Doctrine according to Godliness, Ronald Hanko,
Reformed Free Publishing Association, p. 94-95.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

A Providência de Deus

Série de estudos

3 - Governo e providência


Rev. Ronald Hanko

Fonte : www.monergismo.com
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

Outro aspecto da providência de Deus é o seu governo e domínio sobre todas
as coisas. Que Deus domina é claro a partir das Escrituras (Sl. 2:2-4). Como o
Governador de todas as coisas e como o Deus da providência, ele é o
“bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores” (1Tm.
6:15).
Esse governo providencial de Deus é:
-Todo-abrangente: Não existe nada, nem mesmo Satanás ou o pecado, que
Deus não governe soberanamente (Jó 1:12; Jó 2:6).
-Soberano: Deus não somente governa todas as coisas, mas as governa de
tal forma que elas devem fazer a sua vontade e servir ao seu propósito. No
caso dos homens, anjos e demônios, seu governo não é comprometido ou
dependente da vontade de suas criaturas (Jó 9:12).
-Justo: Deus governa todas as coisas de uma forma que a
responsabilidade pelas ações dos homens, anjos e demônios permanece deles.
Ele não pode ser culpado pelo mal que eles praticam, embora ele esteja
completamente no controle desse mal e até mesmo o faça acontecer (Rm.
9:17-20).
-Com um propósito: Deus não somente governa, mas o faz de acordo com
um plano perfeito para o qual todas as coisas devem e de fato se conformam.
Nada acontece por acaso. Nada surpreende Deus ou faz com que ele mude
sua mente ou vontade (Sl. 115:3; Sl. 135:6; Rm. 9:21, 22).
-Incompreensível: Tão grande é Deus como o Governador sobre tudo que
seus caminhos estão além do nosso entendimento (Jó 9:10; Is. 55:8). Embora
todas as coisas cooperem para o bem do seu povo e para a condenação do
resto, não é sempre possível para nós ver isso. Vivemos por fé, não por vista
(2Co. 5:7).
-Gracioso: Deus governa para o benefício do seu povo (Rm. 8:28). Todas
as coisas não cooperam para o bem daqueles que amam a Deus por acaso,
mas sim porque Deus controla e dirige tudo por meio de Jesus nosso
Salvador.
Contudo, o governo não é gracioso para todos. Seu governo sobre os
ímpios é o oposto do seu governo sobre o seu povo. Ele é um governo
condenatório, não apenas porque eles rejeitam seu governo e desprezam suas
dádivas, mas também porque ele ativamente os governa para sua própria
destruição e condenação. Isso não é negar que ele lhes dá coisas boas – vida e
respiração, alimento e proteção, anos frutíferos, e tudo o mais – mas sim que
ele nunca o faz por amor ou em graça.
Devemos crer nesse governo providencial por Deus, pois o que vemos
nem sempre parece estar sob o sábio governo de Deus. Em vez de ordem,
vemos desordem na criação e na sociedade; em vez de justiça, vemos injustiça,
caos e aparente confusão na história e criação. Todavia, a fé crê e confessa que
Deus está no controle, que nada acontece por acaso, e que pela graça de Deus
tudo é para o bem. A fé sustenta que todas as coisas devem cooperar para o
bem do povo de Deus, e que elas devem cooperar juntamente para esse bem,
para aqueles que amam a Deus.


Fonte (original): Doctrine according to Godliness,
Ronald Hanko, Reformed Free Publishing
Association, p. 93-94.

sábado, 3 de abril de 2010

A Providência de Deus

Série de estudos

2 - Preservação e Providência

Rev. Ronald Hanko

Fonte : www.monergismo.com
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

Um aspecto da providência de Deus é chamado de “preservação”. Com
isso queremos dizer que é Deus quem dá vida e existência a todas as suas
criaturas e quem “preserva” elas e suas vidas. Ele não faz isso somente para a
criação bruta – bestas e pássaros, planetas e estrelas, pastos e árvores – mas
também para os homens, anjos e mesmo os demônios (Sl. 104:10-24; Lucas
8:26-33). Nele todas as criaturas vivem, se movem e têm sua existência (Atos
17:28).
Essa é uma grande verdade. Significa que nada existe, exceto que Deus
esteja constantemente presente com e em tal coisa por seu poder onipotente,
e que esteja sempre a sustentando. As coisas não existem por si mesmas, mas
por causa de Deus. Isso é verdade da cadeira sobre a qual estou sentado
enquanto escrevo isto, bem como sobre o sol e lua em seus cursos.
Isso também significa que a ordem e harmonia na criação não são o
resultado das assim chamadas leis naturais, mas o resultado da onipresença de
Deus (o seu estar em todos os lugares), e seu poder onipotente. Primavera,
verão, outono e inverno não vêm todo ano na mesma ordem por causa das
“leis naturais”, mas porque Deus fielmente as envia. Os planetas não
obedecem às leis naturais permanecendo em seus cursos, mas obedecem a
Deus, que os guia e dirige.
Essa obra de Deus na criação é um dos meios pelos quais ele dá
testemunho de si mesmo a toda pessoa (Atos 17:24-28; Rm. 1:18-20). Não
existe ninguém que será capaz de dizer a Deus no dia do julgamento: “Eu não
te conheci”. Assim, eles serão inescusáveis, embora este testemunho de Deus
na criação não seja uma revelação salvadora aos homens.
Vivendo no meio de tal testemunho do poder e fidelidade de Deus, é
vergonhoso que os homens não o louvem (Rm. 1:21). Isso é especialmente
verdadeiro porque Deus também os preserva e é providente para com eles.
Ao invés de glorificá-lo e serem gratos, eles se voltam para a idolatria e
imundícia, como Paulo aponta em Romanos 1.

A idolatria, portanto, não é uma busca a Deus, mas um afastar-se dele,
e é uma evidência ao mesmo tempo que mesmo os pagãos conhecem algo do
Deus verdadeiro. Ao afastarem-se dele, eles são entregues por Deus aos
pecados mais grosseiros, especialmente ao pecado da homossexualidade (vv.
24-27). Mas mesmo isso é evidência que eles o conhecem.
Esses pecados vis são a justa punição para a ingratidão de tais homens.
Agindo como bestas, que não conhecem a Deus, eles se tornam piores que
elas, quando Deus os entrega aos pecados que até mesmo as bestas não
cometem.
A presença de Deus e o seu poder preservador na criação são um
testemunho maravilhoso ao crente do Deus que ele conhece e ama em Cristo.
Alguém que sabe que em Deus ele vive, se move e têm sua existência, nunca
temerá coisa alguma, e será eternamente grato, não somente porque Deus
preserva e protege sua vida espiritual, mas também porque Deus lhe dá, dia a
dia, vida e fôlego e todas as coisas (Atos 17:25). Ele morrerá em paz na
confiança que aquele que dá e preserva a vida também a tira, e que Deus é o
Pai fiel do seu povo, mesmo na morte.

Fonte (original): Doctrine according to Godliness,
Ronald Hanko, Reformed Free Publishing
Association, p. 92-93.

quinta-feira, 25 de março de 2010

A Providência de Deus

Série de estudos

1 - A Providência de Deus

Rev. Ronald Hanko

Fonte : www.monergismo.com
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

A palavra providência não é encontrada na Bíblia. Ela é usada como um
nome para o ensino bíblico que Deus é o Governador sempre presente de
toda a criação.
Como Governador soberano da criação, Deus cuida e supre as
necessidades de todas as suas criaturas. Observe que a palavra prover é
encontrada na palavra providência.Providência, contudo, não se refere somente
a essa provisão, mas também ao controle, direção e uso de todas as coisas por
Deus para os seus propósitos. “Todos os moradores da terra são por ele
reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu
e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer:
Que fazes?” (Daniel 4:35). Isso, também, é sua providência.
Providência significa que nada acontece por acontecer. Não existe tal
coisa como acaso ou sorte (Mt. 10:29, 30). Todas as coisas são obra de Deus.
Mesmo os atos pecaminosos dos ímpios e a atividade do diabo estão
completamente sob o controle de Deus (Ex. 4:21; 1Sm. 2:25; 2Sm. 16:10;
S2m. 24:1; 1Reis 22:19-22; Sl. 139:1-16; Pv. 16:1, 4, 9; Pv. 21:1; Is. 10:15; Is;
45:7; Is. 63:17; Jr. 10:23; Dn. 4:17; Amós 3:6; Mt. 8:31; Atos 2:23; Atos 17:28;
Rm. 9:18). Todavia, Deus é tão grande que ele não é responsável por
nenhuma das impiedades que os homens praticam. Verdadeiramente, seus
caminhos não são os nossos caminhos, e os seus pensamentos não são os
nossos pensamentos (Is. 55:8).
Quando a Escritura fala da providência de Deus, ela na maioria das
vezes fala de sua “mão” (Sl. 109:27; 1Pe. 5:6). É por sua mão que ele provê
para as suas criaturas e lhes dá vida e fôlego. É com sua mão que ele guia e
dirige o curso de todas as cosias, de forma que sirvam ao seu propósito
maravilhoso. Sua mão é seu poder soberano e todo-poderoso.
Algumas vezes até mesmo homens são descritos como a mão de Deus,
quando ele usa-os para realizar o seu propósito (Sl. 17:13, 14) ou quando eles
são os instrumentos de seu propósito (Gn. 49:24; Sl. 17:13; Is. 10:15). E o que
é mais, esses homens são incapazes de questionar os tratamentos de Deus (Is.
45:9), mesmo quando eles são os instrumentos que Deus usa.
Deve existir terror indizível neste pensamento para o ímpio, pois não
importa o que eles façam ou pra onde vão, eles estão nas mãos de Deus e não
podem fazer nada à parte daquele que é o seu Juiz e Executor. Ao mesmo
tempo, há conforto sem fim na providência de Deus para os crentes, pois a
mão que os sustém é a mão de seu Pai (João 10:28, 29), que os amou
eternamente e soberana e graciosamente cuida deles. A Escritura fala até
mesmo deles sendo gravados nas mãos de Deus (Is. 49:16).
Sabendo, então, que ele é o seu Pai celestial, os crentes aprendem dessa
doutrina da providência que o seu Pai é todo-poderoso. Ele é capaz de fazer
todas as coisas necessárias para a sua salvação. Ele controla todas as
circunstâncias de sua vida, incluindo as coisas que parecem ser contra eles.
Doença, morte, pobreza, aflição, e perseguição não chegam por mero acaso,
mas estão sob o controle soberano daquele que ama o seu povo e deu o seu
Filho unigênito por eles. Sem dúvida, então, todas as coisas devem cooperar
juntamente para o bem daqueles que amam a Deus (Rm. 8:28), e nada pode
separá-los do amor de Deus em Jesus Cristo (v. 39).

Fonte (original): Doctrine according to Godliness,
Ronald Hanko, Reformed Free Publishing
Association, p. 90-91.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A Soberania de Deus Remove a Vanglória

“Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão” (Rom 9.15).

Nessas palavras, o Senhor reivindica, da forma mais clara possível, o direito de outorgar ou reter sua misericórdia, de conformidade com sua própria vontade. Assim como um monarca está investido da prerrogativa de conceder vida ou morte, assim também o Juiz de toda a terra tem o direito de poupar ou condenar o culpado, conforme Lhe parecer melhor.
Os homens, por causa de seus pecados, perderam todo o direito diante de Deus e, portanto, merecem a perdição eterna. E, se todos eles buscarem seus direitos na presença dEle, não encontrarão qualquer fundamento para suas reivindicações. Se o Senhor age para salvar alguém, Ele o faz de modo que os objetivos de sua justiça não sejam distorcidos. No entanto, se Ele acha melhor deixar os condenados sofrerem a justa sentença, ninguém pode chamá-Lo a juízo. Tolos e imprudentes são todos os discursos que se referem aos direitos dos homens serem colocados na mesma condição diante de Deus. Ignorantes, se não forem algo pior, são as contenções contra a graça discriminadora de Deus; tais contenções expressam a rebeldia da natureza humana orgulhosa contra o trono e a autoridade de Jeová.
Quando Deus nos mostra nossa ruína completa, nosso infeliz merecimento e a justiça do veredicto divino contra o pecado, nunca mais contestamos a verdade de que o Senhor não tinha qualquer obrigação de salvar-nos; não murmuramos diante do fato de que Ele resolveu salvar outros, como se estivesse nos causando dano, mas sentimos que, se Ele desejou volver-se para nós, isso foi um ato espontâneo de bondade imerecida da parte dEle, pelo que bendiremos para sempre o seu nome.
Como poderão aqueles que são objeto da divina eleição adorar de forma suficiente a graça de Deus? Eles não têm motivo para se gloriarem, pois a soberania divina exclui com eficácia qualquer motivo. Somente o Senhor deve ser glorificado; a própria noção do mérito humano será lançada na vergonha eterna. Nas Escrituras, não existe uma doutrina que seja mais humilhante ao homem do que a da eleição; uma doutrina que mais promova a gratidão e, conseqüentemente, seja mais santificadora. Os crentes não devem temê-la, e sim regozijarem-se nela, em adoração.

Charles Haddon Spurgeon
Fonte : www.monergismo.com

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Motivos para adorar e servir a Deus

Salmos 100:5 - 3 motivos para adorar e servir a Deus.

Por Charles Haddon Spurgeon

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Jesus Cristo é O caminho, A verdade e A vida

Veja este vídeo com muita atenção e que Deus lhe conceda a graça para entrardes no caminho estreito que conduz a vida eterna. Amém !

Por R.C. Sproul



Não há Outro Caminho para Deus a não ser por meio de Cristo Jesus.