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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A extensão da expiação


“Digno és de tomar o livro e de abrir-lhes os selos, porque foste morto e com o teu sangue COMPRASTE PARA DEUS os que procedem de toda tribo, língua e nação”. Apocalipse 5:9

Por quem Cristo morreu ? A doutrina da redenção específica

A doutrina da redenção específica, mais conhecida historicamente como redenção limitada ou expiação limitada, trata especificamente do propósito e intenção do Deus trino na morte de Jesus Cristo. No cristianismo existe uma concordância quase que unânime em que o sacrifício do Senhor Jesus foi com o propósito de redimir ou libertar pecadores da condenação divina por causa de seus pecados. No entanto, as divergências estão ligadas no aspecto quanto a extensão dos benefícios alcançados pelo sacrifício de Jesus na cruz do calvário.
Existem pelo menos três posições ou formas interpretativas acerca da morte de Cristo no que tange sua extensão e propósito. São elas o universalismo, a posição arminiana e a posição reformada calvinista.

O universalismo afirma que Jesus morreu por todos os pecados de todos os seres humanos que já existiram, existem e ainda existirão defendendo assim uma salvação ou redenção universal onde ninguém será condenado, aliás, esta questão de condenação e inferno afirmam seus defensores, são figuras de sofrimentos que passamos nesta vida mas que no fim, todos estarão na eternidade com Deus. O problema desta interpretação está em passagens claras das escrituras que revelam uma condenação eterna não somente para o diabo e seus anjos, mas também para pessoas, seres humanos que rejeitaram a obra redentora e sacrificial de Cristo revelada pelo evangelho.

A segunda posição, a posição arminiana , afirma que Cristo Jesus morreu por todos os pecados do mundo inteiro, por todas as pessoas que já existiram, que existem e ainda existirão, mas que, somente serão salvas e libertas da condenação do inferno aquelas pessoas que aceitarem ou exercerem fé e confiança na obra sacrificial de Cristo na cruz. O problema desta interpretação é que ela dilui ou reduz a eficácia de todo penoso trabalho de Jesus desde a encarnação até seus sofrimentos intensos na cruz sofrendo inclusive a separação de Deus para salvar pecadores, uma vez que a posição arminiana condiciona a salvação não ao que Cristo fez, mas ao que o pecador precisa fazer para ser salvo que seria crer e ter fé em Jesus. Esta posição ensina que a obra sacrificial de Jesus na realidade não salvou ninguém, apenas tornou possível a salvação de pecadores e toda a Sua obra na cruz só será eficaz ou terá valor salvífico somente se o pecador assim o quiser. Esta interpretação, além de diluir o poder e eficácia da obra de Jesus Cristo na cruz, ensina também que o Filho de Deus pagou os pecados e sofreu a morte e o inferno por pessoas que não creram Nele, e que, por este pecado da incredulidade, estas pessoas estão condenadas ao inferno.
Sobre este ponto incluindo a teoria do universalismo, Charles Spurgeon comenta :

"Se fosse a intenção de Cristo o salvar todos os homens, quão deploravelmente Ele tem sido decepcionado, pois temos Seu próprio testemunho de que existe um lago que arde com fogo e enxofre, e nesse abismo de aflição tem sido lançadas as mesmas pessoas que, de acordo com a teoria da redenção universal, foram compradas com Seu sangue.
Deus castigou a Cristo, por que deveria Ele castigar duas vezes por uma ofensa ? Cristo foi morto por todos os pecados de Seu povo, e se estás no pacto, és um dos do povo de Cristo. Não podes ser condenado. Não podes sofrer por teus pecados. Até que Deus possa ser injusto, e demandar dois pagamentos por uma dívida, Ele não pode destruir a alma por quem Jesus morreu."


Em outras palavras, se Jesus levou os pecados de uma pessoa e a santa e justa ira de Deus contra esta pessoa foi aplacada e imputada em Jesus no calvário, é impossível que Deus possa condenar e derramar sua ira em uma pessoa cujos pecados foram pagos e perdoados pelo Filho de Deus pendurado no madeiro.

Um dos grandes puritanos, John Owen em seu famoso tratado “a morte da morte na morte de Cristo” ensina o seguinte :

"O Pai impôs Sua ira devido a, e o Filho suportou o castigo por, um dos três:

1. Todos os pecados de todos os homens.
2. Todos os pecados de alguns homens, ou
3. Alguns dos pecados de todos os homens.

No qual caso pode ser dito:

a. Que se a última opção for a verdadeira, todos os homens têm alguns pecados pelos quais responder, e assim, ninguém será salvo.
b. Que se a segunda opção for a verdadeira, então Cristo, no lugar deles sofreu por todos os pecados de todos os eleitos no mundo inteiro, e esta é a verdade.
c. Mas se a primeira opção for o caso, porque nem todos os homens são livres do castigo devido para os seus pecados?

Você responde: Por causa da incredulidade. Eu pergunto: Esta incredulidade é um pecado, ou não é? Se for, então Cristo sofreu o castigo devido por ela, ou não. Se Ele sofreu, por que este pecado deve impedi-los mais do que os seus outros pecados pelos quais Ele morreu? Se Ele não sofreu por tal pecado, Ele não morreu por todos os seus pecados!"


Sendo assim, mesmo que os arminianos acusem os reformados calvinistas de limitarem o sacrifício de Jesus, na realidade, quem limita o poder e a eficácia da obra redentora de Cristo na cruz são eles, alegando que o sangue de Jesus só tem poder para salvar e perdoar os pecados daqueles que quiserem, ou seja, na cruz Jesus não salvou absolutamente ninguém, apenas tornou possível a salvação de quem quiser. Neste caso, segundo o que eles afirmam, haveria a possibilidade também de Jesus ter deixado Sua glória, Sua comunhão com o Pai e o Espirito Santo nos céus, se limitar e tomar a forma de servo como nós, passar por todas as dores e sofrimentos nesta terra como nós e ainda assim, ter sido maltratado e humilhado nas mãos dos ímpios, sofrendo o castigo da morte de cruz, a separação do Pai devido aos pecados que lhe foram imputados e por fim, a morte física ficando retido na sepultura por três dias e três noites e mesmo assim, se nenhum ser humano quisesse aceitar ou ter fé em toda esta obra, Jesus poderia ter feito tudo isto em vão e ninguém seria salvo e todo propósito eterno de Deus, suas promessas e seus juramentos cairiam por terra e não poderiam ser cumpridos porque os homens não quiseram. Esta interpretação, no meu entender chega as margens da blasfêmia, onde pecadores finitos e mortais querem exercer maior sabedoria e domínio sobre o soberano do universo, o Deus trino, onde a criatura quer ser igual ou maior do que o seu criador, o que nos revela a essência do pecado original herdado de nossos primeiros pais quando caíram no Éden.

Por último, temos a posição calvinista ou reformada que afirma que Jesus morreu com o objetivo de salvar um povo para Deus, não uma única nação, mas pessoas em todo o mundo que seriam reunidas para a comunhão com Deus por meio de Jesus. O termo expiação ou redenção limitada não diz respeito a eficácia da morte de Jesus, mas sim, a extensão dela. Conforme já vimos anteriormente, está obra não pode ter sido feita em favor de cada ser humano que existe ou já existiu, mas sim, por pessoas do mundo inteiro que segundo a teologia reformada, foram eleitos por Deus antes da fundação do mundo para salvação.
Algumas passagens das escrituras que afirmam tanto a eficácia quanto a extensão da morte de Cristo demonstram que Jesus Cristo veio a este mundo para morrer e salvar o Seu povo dos Seus pecados (Mt 1:21). Jesus veio para cumprir a vontade de Seu Pai, e esta vontade de Deus era a salvação de todos aqueles que haviam sido dados a Jesus no pacto da graça na eternidade (João 6:37 e 38). Conforme Apocalipse 5:9, Jesus Cristo ao derramar Seu sangue na cruz Ele comprou para Deus povos de toda tribo, língua e nação. Jesus não tornou possível a salvação de pecadores, porém Ele realizou a obra eficaz para salvação de pecadores. O trabalho penoso do Senhor não foi em vão como querem os arminianos. O profeta Isaias revela: “Ele verá o fruto do penoso trabalho de Sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos porque as iniquidades deles levará sobre si” Isaias Cap.53:12. Jesus não morreu em vão, Ele verdadeiramente levou nossos pecados e o castigo que nos traz a paz. Todos aqueles por quem Cristo morreu, tem seus pecados perdoados e alcançarão a paz com Deus uma vez que a ira de Deus por seus pecados foram imputadas na pessoa de Jesus Cristo. Nisto está o caráter vicário ou substitutivo da morte de Jesus, morrendo no lugar de pecadores, morrendo no lugar do Seu povo, morrendo por Sua igreja. Atos 20:28, Lucas citando as palavras de Paulo revela que a igreja de Deus foi comprada pelo próprio sangue de Deus, neste caso, Deus Filho que foi morto na cruz. O próprio termo redenção significa libertação por meio de um pagamento, ou seja, Jesus pagou o altíssimo preço, com seu sangue, para redenção de Seu povo. Isto como prova de Seu amor, no qual Ele nos amou e entregou Sua vida por nós. Em João cap. 10 as escrituras revelam que Jesus deu Sua vida por Suas ovelhas, tantos as da casa de Israel quanto aquelas que ainda iriam crer Nele, gentios do mundo inteiro que seriam reunidos em um só rebanho sob cuidado e direção de um só pastor, Jesus Cristo Nosso Senhor.
Além destas, outras passagens apontam para uma expiação específica ou para redenção de pessoas específicas em todo o mundo por toda história e assim o será até a consumação dos séculos.
Até lá, a igreja é comissionada a levar o evangelho a toda criatura uma vez que não sabemos quem são os eleitos de Deus para salvação pelos quais Jesus morreu na cruz.

Quero concluir citando as palavras de Charles Spurgeon em defesa da sã doutrina e da pureza do evangelho :

“Isto pode parecer a ti de pouca conseqüência, porém realmente é um assunto de vida ou morte. Desejo suplicar a cada cristão - querido irmão, reflita sobre o assunto ponderadamente. Quando alguns de nós pregamos o Calvinismo, e outros o Arminianismo, não podemos ambos estar corretos; não é útil tratar de pensar que podemos ambos estar corretos - 'Sim', e 'não', não podem ambos ser verdade. A verdade não vacila como o pêndulo que se move para frente e para trás...Um deve estar certo; o outro errado”.

Sola Scriptura / Sola Gratia / Sola Fide / Solus Christus / Soli deo Gloria.