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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Uma análise da doutrina do arrebatamento secreto

por

Evangelista Josué Marcionilo dos Santos


O PRÉ-TRIBULACIONISMO

Segundo os dispensacionalistas, existe o princípio de que os santos não passariam pela tribulação. Segundo eles, Jesus virá não só uma vez mas duas vezes, primeiro para arrebatar a Igreja, e sete anos depois, para estabelecer o Milênio. Quando Jesus voltar para arrebatar a Igreja “secretamente”, ocorrerá, segundo os dispensacionalistas, a primeira ressurreição. Os verdadeiros crentes, ainda em vida, serão momentaneamente transformados e, juntamente com os ressuscitados, todos eles, então com corpos incorruptíveis serão arrebatados para se encontrar com cristo, escapando assim da grande tribulação.

Que os crentes não passarão pela grande tribulação é um princípio lógico, segundo os dispensacionalistas, já que quando Deus resolveu destruir Sodoma e Gomorra pelo fogo, livrou o justo Ló; quando Ele quis destruir o mundo com o dilúvio, livrou Noé e sua família; quando o Senhor permitir a atuação cruel do anticristo, Ele livrará a Sua Igreja. Cristo referiu-se a este evento em seu sermão profético em Mt 24:37-42.

Arrebatados, os santos ficarão nalgum lugar não definido, com Jesus por sete anos, quando então ocorrerão, segundo eles, o juízo das obras dos salvos e as bodas do Cordeiro. Durante os últimos três anos e meio, no qual o anticristo estaria exercendo seu poder na terra (Dn 9:27 e Ap 13:5), a Igreja arrebatada estaria com o Senhor, passando pelo Tribunal de Cristo, onde haveria o julgamento das obras dos salvos ( Mt 25:14-23; Lc 19:2-20; I Co 3:11-15; Rm 14:10; II Co 5:10) e, ocorrerá também A CEIA DAS BODAS DO CORDEIRO.

UMA ANÁLISE CRITICA

A – O Arrebatamento Secreto.

Embora os dispensacionalistas ensinem que o arrebatamento dos vivos transformados será secreto, os textos que eles citam em apoio a esse arrebatamento nada parece acontecer em secreto, mas sim num momento extremamente ruidoso e alarmante: “porque o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado, à voz do arcanjo, ao som da trombeta de Deus, e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens ao encontro do Senhor nos ares e assim estaremos para sempre com o Senhor” ( I Ts 4:14-17). E ainda I Co 15:52; “Num momento, num abrir e fechar dos olhos, ao som da última trombeta soará, e os mortos serão ressuscitados incorruptíveis, e nós seremos transformados”.

A passagem em Mateus 24:40-41 “Então dois estarão no campo, um será tomado, e deixado o outro, duas estarão trabalhando num moinho, uma será tomada, e deixada a outra” não contém nada que indique um arrebatamento secreto.

O fato é que não há nenhuma referência bíblica que apóie o arrebatamento secreto dos dispensacionalistas e nem uma volta secreta de Cristo Jesus. O Novo Testamento ensina que a volta de Jesus será pública e notória. A Escritura não nos deixa em dúvida quanto a visibilidade da volta do Senhor (Mt 24:30; 26:64; Mc 13:26; Lc 21:27; At 1:11; Hb 9:28; Ap 1:7).

Embora se use II Pedro 3:10 para apoiar uma vinda secreta de Cristo, o texto nos diz que o que virá como ladrão é o dia do Senhor e, não Cristo: “Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas”. Jesus usou a metáfora como ladrão para indicar o caráter inesperado do evento e não secreto.

B – O Arrebatamento da Igreja

Embora o argumento de que Deus livrou Ló quando destruiu Sodoma e Gomorra e livrou Noé e sua família no dilúvio pareça estabelecer o principio lógico de que Deus livrará seu povo da grande tribulação, encontramos dificuldade de aceitá-lo porque tal argumento propõe que ambos os fatos ilustra que Deus sempre livrará seu povo do sofrimento. Se fosse assim, então o que dizer dos quatrocentos anos de servidão e tribulação que o povo de Deus passou no Egito, e quanto aos sofrimentos e os martírios dos profetas no Velho Testamento. Como ignorar a tribulação que a Igreja primitiva passou sob a perseguição de Nero e Domiciano? Naqueles dias a aflição dos eleitos foi tamanha que Deus deu o livro de Apocalipse à Igreja para lhe transmitir conforto e encorajamento, e assegura-lhe que Ele vê as lágrimas do Seu povo (Ap 7:17;21:4).

À fiel Esmirna Ele dizia: “Conheço a tua tribulação, a tua pobreza (mas tu és rica) não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns de entre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias”. Porém acrescenta: “Sé fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2:9a-10).

Alguém pode objetar em relação ao livramento físico dos crentes durante a grande tribulação que temos em Mateus 24:40 e 47 uma referência clara a este evento. Temos mesmo? Vejamos o que realmente diz o texto Sagrado. Os discípulos mostravam a Jesus o Templo majestoso e então Cristo disse-lhes que não ficaria pedra sobre pedra que não fosse derribada (Mt 24:2). Referia-se a destruição do templo no ano 70. No ano de 66 dC, terroristas judeus mataram os soldados romanos em Massada e prepararam-se para uma forte defesa. O dirigente do templo em Jerusalém pôs paradeiro às ofertas diárias para o bem-estar do Imperador. Foi confiada a Vespasiano a tarefa de subjugar a revolta judaica, que por sua vez, após um cerco que durou seis meses a fio, deixou que seu filho Tito comandasse o ataque final. No ano 70 dC Jerusalém foi destruída, o templo de Herodes foi totalmente queimado e seu mobiliário sagrado transportado para Roma.

Os discípulos no Monte das Oliveiras haviam perguntado quando se dariam estes acontecimentos, e quando seria a vinda de Jesus, quais os sinais, quando seria a consumação dos séculos. São dois assuntos: A destruição de templo e os sinais da sua vinda e da consumação dos séculos.

A resposta é mesclada das duas coisas ao mesmo tempo. Jesus usa a mesma forma dos profetas do V.T. citando geograficamente a Judéia e a Palestina, para referir ao mundo que Ele conhecia, ou seja, ao citar a tribulação relativa aos Judeus e à Palestina, não queria referir-se somente aos judeus. No sermão profético a tribulação é um sinal que deve ser esperado por seu povo antes da sua vinda: “Então sereis atribulados e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome ...” (Mt 24:9). Mas não diz que será um período imediatamente anterior a sua vinda. Veja outras declarações de Jesus: Mt 5:10-12; Jo 15:20; 16:38. É pois um sinal dos tempos continuado ou repetido.

Mas há uma tribulação final que Cristo refere no seu sermão: “Porque nesse tempo haverá grande tribulação como desde o princípio do mundo não tem havido nem haverá jamais. Não tivesse aqueles dias sidos abreviados ninguém seria salvo; mas por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados” (Mt 24:21-22). Aqui Jesus se refere a uma tribulação além daquela vista na destruição de Jerusalém, apesar de falar desta destruição veja que ele usa palavras como; “não tem havido nem haverá jamais” e continua dizendo: “Naqueles dias o sol escurecerá, a lua não dará sua luz, as estrelas cairão do firmamento e os poderes do céu serão abalados. Então aparecerá no céu o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu com poder e grande glória” (Mt24:29-30). Portanto Jesus está tratando da grande tribulação que ocorrerá “antes da sua volta”.

Outra coisa que devemos notar é que todos passarão por este período; judeus e gentios, desde que não há em Cristo distinção entre eles, pois como explicaríamos esta expressão de Jesus: “... Mas por causa dos escolhidos tais dias serão abreviados” ?

Então o que temos em Mateus 24:37-42 não é por hipótese alguma um arrebatamento antes da tribulação, mas o que Jesus quis deixar claro é que não há meios de predizer os eventos precisos que precederão o fim do século e a vinda final do Filho do Homem, pois esses eventos serão tão imprevisíveis e inesperados como a vinda do dilúvio nos dias de Noé, ou o arrombamento de uma casa feito por um ladrão. Os homens e as mulheres estarão envolvidos em suas ocupações habituais, cultivando campos, moendo cereal nos moinhos, comendo, bebendo e dando-se em casamento quando num momento que eles menos esperam o Filho do Homem virá. O propósito era ensinar a seus discípulos que eles precisavam estar preparados para o inesperado. Portanto, Mateus 24:37-42 não é uma referência ao arrebatamento Pré-Tribulacionista.

Uma vez que não encontramos qualquer apoio Bíblico para a crença Pré-Tribulacionista devemos nos perguntar de onde surgiu então esta idéia. Surgiu no século XIX entre 1800 e 1882 em uma conferência profética na Igreja de Edward Irving (Pastor expulso da Igreja Presbiteriana) quando uma “irmã” teria tido uma visão de um arrebatamento secreto. John Nelson Darby um membro dos chamados Irmãos de Plymouth aceitou a suposta visão como sendo a voz do Espírito Santo. Outros a rejeitaram e por isso houve uma grande divisão entre os Irmãos Plymouth. Darby visitou os EUA por seis vezes para expor seus pensamentos envolvendo a muitos e difundido suas idéias, Porém o maior impacto na divulgação do Pré-Tribulacionalismo foi com Scofield (1843-1927) com sua Bíblia de referência que foi largamente distribuída e aceita pelos meios conservadores “fundamentalistas” e pelos leigos, como auxílio ao estudo da Palavra de Deus. Portanto a doutrina Pré-Tribulacionista não veio da revelação bíblica, por isso não podemos aceitá-la como verdade.

Fonte : www.monergismo.net.br

Arrebatamento pré-tribulacional - suas origens

Por
Brian Schwertley

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
Fonte : www.monergismo.net.br

Sempre que o cristão encontra uma doutrina que não foi ensinada por
alguém de qualquer ramo da igreja de Cristo durante os dezoito séculos
passados, ele deveria ter muita suspeita de tal ensino. Esse fato em e por si
mesmo não prova que o novo ensino é falso. Mas, deveria definitivamente
levantar suspeitas, pois se algo é ensinado na Escritura, não é absurdo esperar
que ao menos uns poucos teólogos e exegetas tenham descoberto isso antes.

O ensino de um arrebatamento secreto pré-tribulacional é uma doutrina que
nunca existiu antes de 1830. O arrebatamento pré-tribulacional veio à
existência mediante uma exegese cuidadosa da Escritura? Não! A primeira
pessoa a ensinar a doutrina foi uma jovem chamada Margaret Macdonald.
Margaret não era teóloga nem expositora bíblica, mas uma profetiza da seita
Irvingita (a Igreja Católica Apostólica). O jornalista cristão Dave MacPherson
escreveu um livro sobre o assunto da origem do arrebatamento secreto. Ele
escreve: “Temos visto que uma jovem escocesa chamada Margaret Macdonald
teve uma revelação particular em Port Glasgow, Escócia, no começo de 1830,
de que um grupo seleto de cristãos seria capturado para encontrar Cristo nos
ares, antes dos dias do Anticristo. Uma testemunha ocular, Robert Norton
M.D., preservou o relato escrito a mão por ela da sua revelação de um
arrebatamento pré-tribulacional em dois de seus livros, e disse que foi a
primeira vez que alguém dividiu a segunda vinda em duas partes ou estágios
distintos. Seus escritos, juntamente com muitas outras literaturas da Igreja
Católica Apostólica, ficaram escondidos por muitas décadas do pensamento
evangélico dominante, e apenas recentemente reapareceram. As visões de
Margaret eram bem conhecidas por aqueles que visitavam sua casa, entre eles
John Darby dos Irmãos. Dentro de poucos meses sua concepção profética
distintiva foi refletida na edição de setembro de 1830 do The Morning Watch e
na primeira assembléia dos Irmãos em Plymouth, Inglaterra. Os primeiros discípulos da interpretação pré-tribulacionista freqüentemente a chamavam de
uma nova doutrina”.

John Nelson Darby (1800-1882), que foi o líder do movimento Irmãos
e “pai do Dispensacionalismo moderno”, tomou o novo ensino de Margaret
Macdonald sobre o arrebatamento, fez algumas mudanças (ela ensinava um
arrebatamento parcial de crentes, enquanto ele ensinava que todos os crentes
seriam arrebatados) e incorporou-o em seu entendimento dispensacionalista
da Escritura e profecia. Darby gastaria o resto de sua vida falando, escrevendo
e viajando para espalhar a nova teoria do arrebatamento. Os Irmãos de
Plymouth admitiam abertamente e até mesmo se orgulhavam do fato que
entre os seus ensinos estavam alguns totalmente novos, que nunca tinham
sido ensinados pelos pais da igreja, escolásticos medievais, reformadores
protestantes e muitos outros comentaristas.

O maior responsável pela ampla aceitação do pré-tribulacionismo e
dispensacionalismo entre os evangélicos foi Cyrus Ingerson Scofield (1843-
1921). C. I. Scofield publicou sua Bíblia de Referência Scofield em 1909. Essa
Bíblia, que expunha as doutrinas de Darby em suas notas, se tornou muito
popular em círculos fundamentalistas. Na mente de muitos – professores da
Bíblia, pastores fundamentalistas e multidões de cristãos professos – as notas
de Scofield eram praticamente igualadas à própria palavra de Deus. Se uma
pessoa não aderia ao esquema dispensacionalista e pré-tribulacional, ele ou ela
seria quase que automaticamente rotulado de modernista.

Hoje existe uma abundância de livros advogando a teoria do arrebatamento pré-tribulacional e o entendimento dispensacionalista dos fins dos tempos. Dado o fato que entre os cristãos professos o arrebatamento prétribulacional ainda é freneticamente popular, uma comparação dessa teoria com o ensino bíblico está justificado.
Veremos que os argumentos típicos oferecidos em favor dessa teoria estão em conflito com a Bíblia.

Fonte: Extraído e traduzido do livreto “Is the Pretribulation Rapture Biblical?”, de
Brian Schwertley.

terça-feira, 22 de julho de 2014

O fim de todas as escatologias

Por
R.C.Sproul Jr.

No País das Maravilhas, quando Alice chegou a uma encruzilhada, ela olhou em volta procurando ajuda. Em uma árvore próxima estava um sorriso. Apenas um sorriso. Porém, logo apareceu o corpo completo do Gato de Cheshire. Alice perguntou ao gato que caminho ela deveria tomar. O gato lhe perguntou para onde ela estava indo. Alice explicou a ele que não tinha nenhum destino em particular, e então o gato disse palavras de sabedoria: “Então não importa”.
Se não estamos indo para lugar nenhum, não existe caminho errado. Você só pode se perder se você tem um destino. É por isso que a escatologia é importante. Quando entendida corretamente, a escatologia, o estudo das últimas coisas, é o estudo de para onde estamos indo.
O problema mais frequente é quando nos achamos caminhando numa estrada sem saída, porque nos distraímos com as placas no caminho. Nós acabamos discutindo sobre onde estamos ou onde quase estamos, e no fim das contas perdemos de vista o real objetivo da história.
A Bíblia fala de um milênio. Ela o faz em meio a uma peça profundamente difícil de literatura inerrante — a Revelação de João, o livro do Apocalipse. E tudo o que a Bíblia ensina é compreensível. Deus não perde o tempo dele ou o nosso nos contando coisas que são impossíveis para a nossa compreensão. Então, há uma visão sã do milênio que é bíblica, cognoscível e valiosa. Nós devemos buscar afirmar e compreender essa visão.
O milênio, contudo, não é o fim, em nenhum sentido da palavra. Ele não é a razão para todas as coisas; nem é a última de todas as coisas. Portanto, ele não deveria nos dividir e separar profundamente.
Algumas visões declaram que estamos no meio do milênio, que esse termo se refere ao tempo entre a ascensão de Cristo e o seu retorno. Algumas visões afirmam que o mundo crescerá progressivamente em perversidade, e então Jesus retornará para governar por mil anos. Outros ainda afirmam que o mundo crescerá progressivamente em fidelidade à Palavra de Deus, para que desfrutemos de uma era de ouro de mil anos antes da volta de Jesus. De fato, são visões muito diferentes sobre o milênio.
Mas você notou o que cada uma dessas visões têm em comum? Qualquer posição que alguém possa tomar, no final, todos concordamos em uma coisa: Jesus vence. Quando a história chegar ao fim, todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é Senhor. Quando a história chegar ao fim, todos os seus inimigos terão sido colocados por estrado dos seus pés. Quando a história chegar ao fim, não haverá mais lágrimas, nem doença, nem morte. Quando a história acabar, aquilo que agora somos chamados a buscar, o reino de Deus, será consumado. Aquilo que buscamos será encontrado em toda a sua glória, em toda a sua plenitude.
Há, contudo, mais um passo antes do fim, uma parte da história que estamos acostumados a negligenciar. O fim real, o fim verdadeiro, não se encontra nos capítulos finais de Apocalipse, mas na primeira carta de Paulo à igreja em Corinto, capítulo 15. Lá nós lemos: “E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder” (v. 24). O fim é quando o Filho, após trazer todas as coisas sob a sua sujeição, entrega o reino ao seu Pai. Então, o segundo Adão, tendo completado o chamado dado ao primeiro Adão de encher e sujeitar a terra, entregará de volta ao seu Pai a criação que havia sido colocada sob nossa mordomia.
Como podemos esquecer disso? Como a nossa história deixou de fora esse grande clímax? O Filho devolve o reino ao Pai. Devemos chegar a compreensão disso, pois é exatamente essa gloriosa verdade que inspira os nossos trabalhos aqui e agora. O reino que primeiro buscamos é o mesmo reino que o Filho devolve ao Pai. Nossos trabalhos no presente, enquanto refletem e fluem do nosso comprometimento com o reino de Cristo, não importa o que aconteça entre hoje e o fim, sobreviverão. Nossa obra importa para a eternidade. Ou, como um sábio teólogo se inclina a descrever, o agora conta para sempre.
Nossos esforços, nossos trabalhos em criar nossos filhos na educação e admoestação do Senhor, em chamar os eleitos dos quatro cantos da terra, de tomar o pó de Deus e moldá-lo em objetos, não é apenas buscar o reino, mas manifestá-lo. Não é o que fazemos enquanto esperamos pelo fim, nem o que fazemos para fazer acontecer a nossa visão favorita do milênio. Mas o que fazemos para mover a história para o fim do fim, o Filho devolvendo o reino ao Pai.
E isso, é claro, também é o princípio do princípio. A partir dali, nós desfrutaremos do verdadeiro e eterno Monte Sião — na Nova Jerusalém — a própria presença do Deus vivo. Nós participaremos da visão beatífica, contemplando a sua glória. Nós conhecemos o fim, tanto o propósito quanto o objetivo da história — Jesus vence para a glória de Deus. E pela sua graça, ele nos leva com ele. Essa é a nossa razão de viver e a nossa esperança ao morrer.

Tradução: Alan Cristie
Fonte: www.ministeriofiel.com.br

quinta-feira, 1 de maio de 2014

O que é uma Igreja Batista Reformada ?

Os cinco pontos das Igrejas Batistas Reformadas - Um breve esboço de nossas convicções distintivas

I. REFORMADA
A. Sola Scriptura - A Bíblia é a autoridade completa, fechada e clara em todas as matérias de fé.
B. Solus Christus - Nossa confiança para a salvação está somente em Jesus Cristo.
C. Sola Gratia – a Graça assegurou a redenção sem referência a obras.
D. Sola Fide - Somos declarados justos por Deus somente pela fé [1].
E. Soli Deo Gloria – A finalidade da criação e redenção é a glória de Deus.

II. CALVINISTA
A. Depravação total - A queda de Adão afetou a totalidade da pessoa do homem [2].
B. Eleição incondicional – A Eleição não é baseada na presciência da fé ou em obras [3].
C. Expiação limitada – A redenção foi obtida por Cristo para os eleitos [4].
D. Graça irresistível – A regeneração pelo Espírito santo é eficaz para os eleitos.
E. Perseverança dos Santos - Deus vai, pela graça, completar o que Ele começou na regeneração.

III. PURITANA
A. Piedade na Adoração - Princípio Regulador do Culto [5], o Dia do Senhor como um Sabbath Cristão.
B. Piedade na Pregação - Primazia da pregação. Ênfase na exposição e na aplicação.
C. Piedade na Instrução - Confessional e católica. Propagar aquilo que nós cremos que a Bíblia ensina [6].
D. Piedade na Família - Pais devem instruir (catequizar) e disciplinar os seus filhos no Senhor.
E. Piedade no Comportamento - Manter uma boa consciência diante de Deus e dos homens.

IV. PACTUAL
A. Unidade da Bíblia - Muitas partes, mas uma só mensagem.
B. Interpretação Cristocêntrica - a pessoa de Jesus, Sua obra e Seu reino, é o tema da Bíblia.
C. Distinção entre Lei / Evangelho – A Lei [7] ordena e condena. O Evangelho salva [8].
D. Um meio de salvação - Cristo salvou todos os eleitos ao longo de todas as eras.
E. Visão otimista da história - Jesus Cristo é agora Rei, reinando sobre todos. Ele virá em breve.

V. BATISTA
A. Prática Eclesiástica Bíblica – Ordenanças só para crentes [9]. Disciplina da igreja exercida com amor.
B. Liberdade Eclesiástica Bíblica - O estado não deve intrometer-se em assuntos da consciência.
C. Governo de Igreja Bíblico - Presbíteros e diáconos. A congregação local escolhe seus líderes [10].
D. Crescimento de Igreja Bíblico - Proclamação do Evangelho para o mundo. Arrependimento e Fé exigidos de todos.
E. Ministério Eclesiástico Bíblico - Sacerdócio de todos os crentes [11].

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[1] Esta é uma justiça imputada externa. A justificação é perfeita, nem crescente, nem minguante.
[2] Nós concordamos com Martinho Lutero que a vontade do homem "vem do diabo e de Adão."
[3] Uma compreensão calvinista da salvação: Nós rejeitamos todo o entendimento antropocêntrico da salvação.
[4] "Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles." Mt 1:21 cf. Jo 10:11,14-18,24-29; At 20:28; Is 53.
[5] Em vez do "Princípio Normativo" que estabelece que o que não é proibido, é permitido. Nosso culto de adoração é constituído ao redor das Escrituras lidas, pregadas e cantadas.
[6] Nós aderimos à Segunda Confissão de Fé Batista de Londres de 1689. Adicionalmente, os credos apostólico, niceno, atanasiano e calcedoniano expressam nossa compreensão de ortodoxia.
[7] Nós reconhecemos os "três usos da lei". Primeiro, a lei serve como um guia para a sociedade promovendo a retidão cívica. Secundariamente, a lei condena os pecadores e os dirige a Cristo. E em terceiro lugar, a lei dirige os cristãos para um viver santo.
[8] A Lei e o Evangelho encontram-se tanto no Antigo como no Novo Testamento. O Evangelho são as promessas de Deus aos Seus eleitos.
[9] O batismo infantil é estranho à prática do Novo Testamento. Da mesma forma, a imersão é o modo apropriado de batismo.
[10] "Uma igreja local, reunida e completamente organizada de acordo com a mente de Cristo, consiste de oficiais e membros. Os oficiais designados por Cristo serão escolhidos e consagrados pela igreja congregada". Nós não reconhecemos nenhuma autoridade maior que a igreja local.
[11] A igreja local é uma família espiritual em que as relações devem ser abertas e honestas. Todos os assuntos são tratados com caridade e paciência. Somente com a participação de todos os membros os indivíduos podem crescer em graça e amor.

Fonte : www.ibrvn.com

sábado, 29 de março de 2014

Dez Efeitos de Se Crer nos Cinco Pontos do Calvinismo

Por John Piper. © Desiring God. Website: desiringGod.org
Tradução : Felipe Sabino de Araújo Neto. Website: monergismo.com


Estes dez pontos são meu testemunho pessoal dos efeitos de se crer nos cinco pontos do Calvinismo. Eu tinha acabado de completar o ensino num seminário sobre este assunto, quando fui solicitado pelos membros da classe para que publicasse essas reflexões, de forma que eles pudessem ter acesso a elas. Estou muito feliz de assim o fazer. Apesar do conteúdo dessas reflexões estar disponível numa fita do Desiring God Ministries, eu o coloquei aqui para um aproveitamento mais amplo, na esperança de que elas possam motivar outros a investigar, como os Bereanos, para ver se a Bíblia ensina o que eu chamo de “Calvinismo”.

1. Estas verdades me fazem permanecer no temor de Deus e me guiam à profundidade da adoração centrada em Deus.
Eu me recordo o tempo quando eu primeiramente observei, enquanto ensinava Efésios no Colégio Betel no final da década de 70, a tripla declaração do objetivo de toda obra de Deus, a saber, “para o louvor da glória de Sua graça” (Efésios 1:6,12,14).
Isto me leva a ver que não podemos enriquecer a Deus e que, portanto, Sua glória brilha mais claramente, não quando tentamos satisfazer Suas necessidades, mas quando estamos satisfeitos nEle, como a essência de nossos feitos. “Porque dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas. Glória pois a Ele eternamente” (Romanos 11:36). A adoração se torna um fim em si mesma.
Isto tem me feito sentir quão fracas e inadequadas são minhas afeições, de forma que os Salmos de desejos tornam-se vivos e fazem a adoração intensa.

2. Essas verdades ajudam a me proteger de brincar com as coisas divinas.
Uma das maldições de nossa cultura é a banalidade, atração, inteligência. A televisão é o principal sustentador de nosso vício à superficialidade e trivialidade.
Deus é varrido nisto. Por conseguinte, a brincadeira com as coisas divinas.
Seriedade não é excessiva em nossos dias. Ela pode alguma vez ter sido. E, sim, há desequilíbrios em certas pessoas hoje, que parecem não ser capazes de relaxar e falar sobre o tempo.
Robertson Nicole disse de Spurgeon, “O evangelismo do tipo humorístico [poderíamos dizer crescimento de igreja do tipo marketing] pode atrair multidões, mas ele reduz a alma a cinzas e destrói os genuínos germes da religião. O Sr. Spurgeon é freqüentemente considerado por aqueles que não conhecem seus sermões, como tendo sido um pregador humorista. Para dizer a verdade, não houve nenhum pregador cujo tom fosse mais informalmente sério, reverente e solene” (Citado na Supremacia de Deus na Pregação, p. 57).

3. Estas verdades fazem com que me maravilhe com minha própria salvação.
Após expor a grande obra de salvação de Deus em Efésios 1, Paulo ora, na última parte deste capítulo, para que o efeito desta teologia seja a iluminação de nossos corações, para que nos maravilhemos na nossa esperança, e nas riquezas da glória de nossa herança, e no poder de Deus que opera em nós – isto é, o poder para ressuscitar os mortos.
Todo motivo de vanglória é removido. Alegria e gratidão de um coração quebrantado abundam.
A piedade de Jonathan Edwards começa a crescer. Deus nos dá uma prova de Sua própria majestade e nossa própria perversidade e então, a vida Cristã se torna uma coisa muito diferente da piedade convencional. Edwards a descreve belamente quando ele diz,
“Os desejos dos santos, embora sérios, são desejos humildes: sua esperança é uma esperança humilde, e sua alegria, mesmo quando ela é indizível, e cheia de glória, é humilde, uma alegria de um coração quebrantado, e deixa o Cristão mais pobre em espírito, e mais semelhante a uma pequena criança, e mais disposto a uma submissão universal de comportamento (Religious Affections, New Haven: Yale University Press, 1959, pp. 339s).

4. Estas verdades me fazem alerta para os substitutos antropocêntricos que se apresentam como boas novas.
Em meu livro, Os Prazeres de Deus (2000), pp. 144-145, eu mostro que no século XVIII, na Nova Inglaterra, o declínio da crença na soberania de Deus levou ao Arminianismo, e então ao universalismo, e então ao Unitarismo. A mesma coisa aconteceu na Inglaterra no século XIX, após Spurgeon.
O livro de Iain Murray, Jonathan Edwards: Uma Nova Biografia (Edinburgh: Banner of Truth, 1987), p. 454, documenta a mesma coisa: “As convicções calvinistas diminuíram na América do Norte. No progresso do declínio que Edwards tinha com razão alertado de antemão, aquelas igrejas Congregacionais da Nova Inglaterra que tinham abraçado o Arminianismo após o Grande Despertamento, gradualmente se moveram para o Unitarismo e universalismo, guiados por Charles Chauncy”.
Você pode ler também no livro de J.I. Packer, Quest for Godliness [1] (Wheaton, IL: Crossway Books, 1990), p. 160, como Richard Baxter abandonou estes ensinamentos e como as gerações seguintes colheram uma colheita amarga na igreja de Baxter, em Kidderminster.
Estas doutrinas são um baluarte contra os ensinamentos antropocêntricos em muitas formas, que gradualmente corrompem a igreja e a fazem fraca internamente, enquanto tudo parece forte ou popular.
1 Timóteo 3:15, “A igreja do Deus vivo [é] o pilar e o baluarte da verdade”.

5. Estas verdades me fazem gemer diante da indescritível doença de nosso século: uma cultura que faz pouco caso de Deus.
Eu dificilmente posso ler o jornal ou ver um anúncio na TV ou na billboard [2] sem sentir o peso de que Deus está ausente.
Quando Deus é a principal realidade no universo e é tratado como uma não-realidade, eu tremo diante da ira que está sendo entesourada. Eu sou capaz de ficar chocado. Muitos cristãos estão sedados com a mesma droga que o mundo está. Mas estes ensinos são um grande antídoto.
E eu oro por despertamento e avivamento.
E tento pregar para criar um povo que são tão saturados de Deus, que eles mostrarão e falaram sobre Deus em tudo lugar, e em todo tempo.
Nós existimos para reafirmar a realidade de Deus e a supremacia de Deus em tudo da vida.

6. Estas verdades me fazem confiar que a obra que Deus planejou e começou, Ele terminará – tanto globalmente como pessoalmente.
Este é o ponto de Romanos 8:28-39.
E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou. Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como não nos dará também com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica; Quem os condenará? Cristo Jesus é quem morreu, ou antes quem ressurgiu dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós; quem nos separará do amor de Cristo? a tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia todo; fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.

7. Estas verdades me fazem ver tudo à luz dos propósitos soberanos de Deus – Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente.
Tudo da vida se relaciona com Deus. Não há compartimento onde Ele não seja todo-importante e Aquele que dá significado à todas as coisas. 1 Coríntios 10:31.
Vendo o soberano propósito de Deus se desenvolvendo na Escritura, e ouvindo Paulo dizer que “Ele faz todas as coisas segundo o conselho de Sua vontade” (Efésios 1:11) me faz ver o mundo desta maneira.

8. Estas verdades me fazem esperançoso de que Deus tem a vontade, o direito e o poder de responder orações para que as pessoas sejam transformadas.
A garantia de oração é que Deus pode interromper e mudar as coisas – incluindo o coração humano. Ele pode mudar a vontade ao redor. “Santificado seja Teu nome” significa: faça com que as pessoas santifiquem Seu nome. “Possa Sua palavra correr e ser glorificada” significa: faça com que os corações sejam abertos para o evangelho.
Devemos tomar as promessas do Novo Concerto e implorar a Deus para que as cumpra em nossas crianças e em nossos vizinhos, e entre todas os campos missionários do mundo.
“Deus, tire o coração de pedra deles e lhes dê um coração de carne” (Ezequiel 11:19).
“Senhor, circuncide os seus corações, para que eles Te amem” (Deuteronômio 30:6).
“Pai, coloque Teu Espírito dentro deles e faça com que eles andem em Teus estatutos” (Ezequiel 36:27).
“Senhor, conceda-lhes arrependimento e o conhecimento da verdade, para que eles possam escapar das ciladas do diabo” (2 Timóteo 2:25-26).
“Pai, abras os seus corações, para que eles creiam no evangelho” (Atos 16:14).

9. Estas verdades me fazem lembrar que o evangelismo é absolutamente essencial para que as pessoas venham a Cristo e sejam salvas, e que há grande esperança para o sucesso no conduzir as pessoas à fé, mas que a conversão não é, no final das contas, dependente de mim ou limitada pela dureza do incrédulo.
Assim, isto dá esperança ao evangelismo, especialmente nos lugares difíceis e entre povos duros.
João 10:16, ” Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco; a essas também me importa conduzir, e elas ouvirão a minha voz”
Isto é obra de Deus. Se arremesse nela com abnegação.

10. Estas verdades me asseguram de que Deus triunfará no fim.
Isaías 46:9-10: “Eu sou Deus, e não há outro; eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antigüidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade;
Resumindo todos estes pontos: Deus recebe a glória e nós a alegria.

NOTAS DO TRADUTOR
[1] – Publicado no Brasil pela Editora Fiel, com o título “Entre os Gigantes de Deus: Uma Visão Puritana da Vida Cristã”.
[2] – Revista semanal americana dedicada à música e às gravadoras (inclui a colocação semanal das músicas mais pedidas e os álbuns mais vendidos).

NOTA DO EDITOR : Para mais informações sobre "os 5 pontos do calvinismo", ver o artigo "o Sínodo de Dort" no tópico "história da igreja".