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sábado, 28 de setembro de 2013

O conhecimento de Deus

Pode o homem conhecer a Deus a parte das escrituras?

Em teologia estudamos que basicamente há duas maneiras com a qual Deus, o criador do universo, se revelou ou se revela aos homens. A primeira é chamada como revelação geral, uma revelação que é manifesta a todas as pessoas de todas as épocas que já viveram, vivem ou ainda viverão neste mundo, compreendida em toda criação existente e visível aos nossos olhos. A segunda, não tão abrangente, mas muito mais completa, precisa e detalhada é chamada de revelação especial ou específica e diz respeito às palavras de Deus entregues diretamente aos homens e registradas por eles durante um período de 1500 anos, formando um conjunto de livros de caráter canônico denominado como a bíblia sagrada, composta por 66 livros reconhecidos como inspirados por Deus através da igreja. Nas sagradas escrituras o homem pode ter um conhecimento muito maior e detalhado acerca da pessoa de Deus, seu caráter e atributos, suas obras, leis, juízos e promessas, bem como a revelação da pessoa de Seu Filho Jesus Cristo e a obra redentora por Ele realizada a quase 2000 anos atrás.

Para o cristianismo histórico, não pode haver salvação sem que o homem conheça a Deus e a Seu Filho Jesus Cristo (Jo 17:3), e que este conhecimento salvífico somente é possível por meio da revelação especial contida nas escrituras sagradas através de uma obra poderosa e sobrenatural do próprio Espírito de Deus concedendo iluminação e entendimento das verdades espirituais que conduzem a fé e a salvação (Rm 10:17, 1Co 2:12-16).
No entanto, segue-se a pergunta : Pode o homem ter conhecimento de Deus a parte das escrituras sagradas?
De acordo com as afirmações anteriores baseadas nas escrituras, o homem não pode ter conhecimento salvífico de Deus sem uma revelação especial , o qual somente pode ser encontrada nas sagradas escrituras.
Como então poderemos ao menos tornar possível este conhecimento de Deus aos homens em trevas espirituais se eles mesmos são hostis e céticos em relação à própria escritura, desprezando-a como fonte segura de conhecimento de Deus e de toda verdade? Podemos se utilizar de argumentos e outras fontes que não sejam as escrituras para levar o conhecimento de Deus aos homens? As respostas a estas questões são de suma importância pois afetarão diretamente a maneira é métodos que estaremos utilizando para defender nossas crenças e convicções como também, modos de persuadir e influenciar a outros a abraçarem a fé que professamos a fim de que conheçam a Deus e possam ter a mesma alegria e esperança que possuímos. Sendo assim, vejamos algumas posições quanto a este assunto a fim de chegarmos a uma conclusão mais coerente e ideal para defendermos e batalharmos pela fé que nos foi entregue.

Alguns teólogos e pensadores cristãos da história defendiam a posição de que o homem, mesmo sendo pecador e separado da glória e comunhão com o Criador por causa de seus pecados, ainda assim, poderiam ter um conhecimento de Deus não salvífico, mas correto e verdadeiro mediante outros meios a parte das escrituras sagradas. Dentre estes teólogos, encontramos o grande pensador do catolicismo romano Thomas de Aquino, o qual cria que existe na criação uma revelação geral e objetiva capaz de fornecer certo conhecimento de Deus ao homem natural. Como a mente humana é fruto da criação, é possível ter conhecimento de Deus pelo entendimento da criação por meio das leis da lógica e da razão e ciências como física, química e biologia. Esta abordagem de Thomas de Aquino difere da abordagem de Agostinho de Hipona, o qual tinha uma compreensão diferente quanto a abrangência da queda do homem pelo pecado diferente da posição de Aquino, o qual cria que a vontade do homem havia sido corrompida pelo pecado, mas não seu intelecto. Em uma linha similar, encontramos Anselmo que dizia que o homem poderia conhecer a Deus fazendo o uso da razão.
Por outro lado, alguns teólogos defendem a posição de que o homem sem Deus não pode possuir qualquer conhecimento correto de Deus a parte das escrituras sagradas. Por causa do pecado e em estado de morte espiritual, o homem não tem a capacidade de ter nenhum conhecimento correto a respeito de Deus, que é um ser plenamente supremo e espiritual, fora da compreensão humana. Todo conhecimento correto de Deus somente é possível pelas escrituras sagradas que revelam a Jesus Cristo, produzindo fé na verdade e redenção, trazendo luz ao entendimento humano para que este possa conhecer a Deus. Em suma, sem Jesus Cristo não é possível conhecer a Deus. Jesus revela o Pai e para conhece-Lo somente mediante a fé na obra redentora do Filho de Deus revelado nas sagradas escrituras. Esta era posição do teólogo Karl Barth.
Nestas duas posições podemos identificar dois extremos para resposta as perguntas supracitadas. Uma posição defende que é possível conhecer a Deus a parte das escrituras e , se assim for, o homem não é tão depravado e pecador com revelam as próprias escrituras em uma condição de morte espiritual e com entendimento em trevas (Ef 2:1, 4:18), o que poderia trazer problemas para doutrinas como a sotereologia. A outra posição , apesar de demonstrar a realidade espiritual do homem pecador em total incapacidade até mesmo de buscar a Deus, não leva em consideração a revelação geral de Deus a toda humanidade o qual é eficaz para testemunhar acerca de Deus e para julgar todos aqueles que a desprezam. Deste modo, que posição deve ser a mais adequada ou qual a posição que as escrituras nos oferecem ?

A bíblia demonstra com clareza que Deus é manifesto e revelado por meio da própria criação. A revelação geral compreendida em todas as coisas criadas apontam claramente para existência de Deus. No Salmo 19:1-4 as escrituras ensinam que as coisas criadas, os céus e o firmamento proclamam e anunciam a glória de Deus e as obras de suas mãos. Dia após dia desde o princípio, o criador é proclamado pela criação, mesmo sem um som audível, mas claramente expresso e manifesto nas coisas criadas. O apostolo Paulo em Romanos 1:19-20 trata desta realidade da revelação de Deus nas coisas criadas declarando que os atributos invisíveis de Deus bem como Seu eterno poder e Sua própria divindade podem ser claramente reconhecidas desde o princípio do mundo nas coisas que foram criadas. Tal revelação tornam todos os homens indesculpáveis diante de Deus o qual julgará e punirá toda desonra, desprezo e rejeição do reconhecimento do criador. Estes e outros textos das escrituras declaram o testemunho da existência de Deus por meio da criação e providência.
Sendo assim, não podemos afirmar que o homem natural não pode obter nenhum conhecimento de Deus fora das escrituras uma vez que as próprias escrituras revelam que Deus se manifesta em toda a terra por meio das coisas que foram criadas. No entanto, as escrituras também declaram que somente pela fé o homem pode crer que o universo foi criado por Deus (Hb 11:3) sendo esta fé de caráter salvífico que conduz o homem a comunhão com o seu criador. Como responder a nossa questão principal : pode o homem obter conhecimento de Deus fora das escrituras ?

A resposta mais coerente e adequada está na posição defendida pelo reformador João Calvino, o qual dizia que a revelação geral de Deus na criação é uma revelação eficaz e objetiva para testemunho da existência de Deus, porém, por causa do pecado e suas consequências tanto no homem quanto na própria criação, sujeita a maldição, pragas, catástrofes e distúrbios naturais, esta revelação está ofuscada ou manchada por causa do pecado. O próprio homem, com seu entendimento entenebrecido se torna incapaz de reconhecer o criador em toda grandeza manifestada pela criação, atribuindo divindade e rendendo glórias a própria criação no lugar do criador trazendo sobre si ira e justa punição contra seu pecado (Rm 1:18). Em suma, a revelação geral é eficaz para dar conhecimento de Deus aos homens, mas estes, por causa do pecado , são incapazes de conhecer claramente a Deus.

Assim, mesmo sem Deus e sem salvação, o homem pode reconhecer a existência de um criador poderoso e mui sábio que planejou e criou todas as coisas por meio da proclamação desta verdade através da própria criação. Não significa que este homem é salvo por esta revelação, mas sua mente pode ser tremendamente afetada por esta verdade de Deus o qual, por vontade e providência divinas, o poderá conduzi-lo a uma busca incansável por Deus até que Ele seja encontrado na revelação especial, mediante o evangelho da paz de Nosso Senhor Jesus Cristo, trazendo graça, luz, perdão, salvação e comunhão do pecador perdoado com o Seu criador e Senhor.

Neste sentido, somos encorajados a utilizarmos argumentos lógicos e racionais contidos em toda criação, que revelam o criador, a fim de defendermos nossa fé, de levarmos aos homens o conhecimento de Deus que está nas coisas criadas e assim, preparar os corações de pecadores para receber de bom grado o evangelho de Cristo, que é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê.

Nas palavras do prof. Antonio Neto :"os argumentos para existência de Deus na criação ou a parte das escrituras não são o fundamento de nossa fé, porém eles nos ajudam a fortalecer na fé e nos levam a uma maior adoração . Os argumentos não tem poder para me fazer crer em Deus, mas demonstram que Ele existe. Mesmo não produzindo uma fé salvífica, eles ajudam a preparar o caminho para o evangelho."

Deste modo, concluímos que o homem pode ter certo conhecimento de Deus a parte das escrituras, sendo este problemático por causa do pecado do homem e por isso, tal conhecimento não tem poder para produzir fé salvífica, no entanto, pode ajudar a preparar o caminho para que o homem encontre a Deus e a salvação na fonte segura de fé e prática, as sagradas escrituras.


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