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sexta-feira, 7 de maio de 2010

A Providência de Deus

Série de estudos - Final

7 - A Importância da Providência

Fonte : www.monergismo.com

por Matt Perman

A Teologia é especialmente importante por ser o fundamento de nossa adoração, obediência e alegria. Se tentarmos ser práticos sem uma base doutrinária verdadeira e sólida, decerto falharemos redondamente. A Providência de Deus é uma das mais significativas verdades bíblicas e teológicas. De fato, existem muitas aplicações práticas desta crença que Deus, em Sua Providência, está no controle de todas as coisas. Por vezes questiona-se: “É realmente importante que se entenda e se creia na Providência de Deus?”. Como resposta, eu ofereço as seguintes aplicações. Creio que elas falam por si mesmas.

Entender a Providência gera em nós um profundo senso de gratidão a Deus por todas as coisas – incluindo o amor e a fé que a Ele direcionamos – pelo fato de todas as coisas serem d'Ele (v. Rm 11.36 e Tg 1.18). Assim como também deveria produzir em nós um certo temor piedoso e uma reverência a Deus em nossos corações – por ser Ele quem efetivamente está no controle, e não nós. Ele está sobre o trono diante do qual devemos nos prostrar. Mas não apenas isto, saber que este Deus é tão preocupado com a Sua criação e que, em Sua sabedoria, Ele está governando todas as coisas para a Sua glória maior e para o bem maior de Seu povo, também deveria trazer-nos grande alegria.

O conhecimento da Providência deveria nos manter longe do desespero e, em vez disso, dar-nos paciência e conforto, força e esperança nos sofrimentos e adversidades pelas quais passamos, por sabermos que toda dor tem um propósito. Em verdade, Deus só permite que males ocorram aos seus filhos para que um bem maior lhes seja assim produzido. Destarte, o controle de Deus sobre os eventos maus em nossas vidas é realmente amoroso, e não vingativo. Por nada poder nos ocorrer sem que passe pelas mãos amorosas de Deus, em todos os males que nos sobrevêm, podemos ter a confiança de José, de que “Deus transformará o mal em bem”(cf. Gn 50.20), e adorarmos como Jó: “... e ele lançou-se em terra e adorou. E disse, ‘... O Senhor o deu e o Senhor o tomou. Bendito seja o nome do Senhor’” (Jó 1.20-21). Isto deveria destruir toda lamúria e amargura e, pelo contrário, dar-nos grande esperança e regozijo. Margaret Clarkson disse: “A Soberania de Deus é a rocha inexpugnável à qual o coração humano sofredor deve se agarrar. As circunstâncias que cercam nossas vidas não são acidentes; podem ser obras malignas, mas esses males permanecem firmemente sob o controle das mãos poderosas do nosso Deus soberano... Todo mal está sujeito a Ele, e mal algum pode tocar Seus filhos a menos que Ele próprio permita” .

Nós jamais estamos à mercê das circunstâncias ou das pessoas. Se as pessoas ameaçam nos prejudicar ou aqueles que possuem autoridade sobre nós agem injustamente para conosco, podemos encontrar a alegria no fato de que, em última análise, Deus está trabalhando para produzir um bem maior. Mais ainda, podemos ter efetivamente um grande incentivo para agir a fim de melhorar nossas circunstâncias, pois sabemos que Deus pode levar as pessoas a cumprirem a Sua vontade.

Quando o mundo parece seguir desgovernado ao nosso redor, podemos ter paz e confiarmos em Deus por sabermos que Ele realizará todos os Seus propósitos. Nenhum deles falhará (v. Jó 42.2 e Is 46.10), porque tudo está debaixo do Seu controle e prosseguindo consoante o Seu plano (cf. Ef 1.11). Isto também deveria nos dar um grande encorajamento e confiança para que orássemos. Por Deus poder realizar aquilo que Lho peçamos. Por mais estressantes, confusas ou difíceis que as coisas pareçam ser, precisamos jamais nos deixar dominar pelo abatimento, visto que Deus está no controle.

Se acreditamos na Providência, podemos nos maravilhar com a grandiosidade da sabedoria de Deus, visto que Ele opera juntamente todas as coisas para a Sua glória e para o bem do Seu povo (Rm 8.28) – não somente apesar da oposição, mas mesmo pela oposição ao Seu povo. Ele faz o mal sair pela culatra e faz com que Satanás continuamente atire em seu próprio pé quando tenciona algum mal contra os santos de Deus, visto que a intenção de Deus é, por fim, trazer-lhes benefícios. Esta é a maravilhosa sabedoria pela qual glorificamos a Deus!

Devido a isso, nós podemos ter uma alegre confiança em Deus quanto ao nosso futuro. Longe da Providência ser uma doutrina desencorajadora, ela nos liberta para que obedeçamos a Deus com confiança e segurança – mesmo quando a obediência parece ser arriscada ou “tola” pelos padrões do mundo. Saber que Deus está no controle nos encoraja a obedecê-lO a despeito dos perigos, para a Sua glória. Em todas as coisas, podemos ter grande coragem e ousadia.

Entender a Providência é também muito importante para a humildade. Daniel 4.35 é um verso chave acerca do controle de Deus sobre todas as coisas: “Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: ‘Que fazes?’”. Este verso é especialmente significativo à luz do contexto do capítulo inteiro. Deus havia revelado a Nabucodonosor, através de um sonho, que o seu reino lhe seria tomado. Por que Deus estava fazendo isto, afinal? Porque Nabucodonosor era orgulhoso. E por que Deus via Nabucodonosor como orgulhoso? Porque ele não reconhecia que “o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer” (v. 25). O reino de Nabucodonosor não seria restaurado até que ele compreendesse que “o céu domina” (v. 26). Logo, o conhecimento da Providência absoluta de Deus parece ser importante para a humildade.

Somente depois de Nabucodonosor ser humilhado é que ele veio a compreender que Deus estava no controle e fez aquela declaração registrada no verso 35, citado acima. Deveras, a atitude de Nabucodonosor diante de Deus em Sua soberana majestade deveria ser compartilhada por todos nós: “Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, exalto, e glorifico ao Rei do céu, pois todas as suas obras são verdadeiras, e os seus caminhos, justos, e pode humilhar os que andam na soberba” (v. 37).

Por todas estas coisas, um coração sensível e crente na providência de Deus nos fará pessoas mais fortes. Não obstante, talvez mais importante ainda seja o fato de que a verdade da Providência glorifica grandemente a Deus e O exalta em Sua supremacia. Uma negação dela envolve uma redução da visão que nutrimos em nossos corações acerca da supremacia de Deus, visto que não mais O veremos como alguém autoritativo sobre todas as coisas e que, com a Sua sabedoria, mantém a Sua criação debaixo do Seu controle. Aceitar a verdade da Providência, por outro lado, provê um incentivo poderoso para adorarmos. John Piper dá uma ilustração da alma humana como se ela fosse uma fornalha de adoração, com o Espírito Santo trazendo o fogo, uma visão adequada de Deus servindo de combustível, e a adoração sendo o calor resultante do nosso amor, expresso no louvor a Deus. Se tivermos uma visão deficiente sobre Deus, nossa adoração também será deficiente em virtude do “combustível” ser fraco. Mas, se tivermos uma visão exaltada sobre Deus, decerto nossa adoração virá a ser fervorosa. Como J.B.Moody disse “Pelo fato da adoração verdadeira ser baseada na grandiosidade reconhecida, e a grandiosidade ser vista supremamente na Soberania, em nenhuma outra base os homens adorarão realmente”.

SOLI DEO GLORIA !

A Providência de Deus

Série de estudos

6 - Providência e Restrição do Pecado

Rev. Ronald Hanko

Fonte : www.monergismo.com
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

Em sua providência, Deus controla e dirige todas as coisas que
acontecem. Mesmo as vidas dos homens, em cada detalhe, estão sob esse
controle soberano de Deus. “Ele opera”, como Nabucodonosor disse,
“segundo a sua vontade… com o exército do céu e os moradores da terra”
(Daniel 4:35). Por sua providência, portanto, Deus também controla e dirige
as ações pecaminosas dos homens, como é evidente a partir do exemplo de
Nabucodonosor e outros (1Sm. 2:25; 2Sm. 16:10; 2Sm. 24:1; 1 Reis 22:19-22;
Atos 2:23; Rm. 9:18). Incluso nessa obra soberana e providencial de Deus está
uma restrição do pecado. Deus, por providência, restringe de muitas formas
diferentes a impiedade dos homens.
A Escritura nos dá muitos exemplos dessa restrição do pecado. Gênesis
6:3 é o primeiro exemplo na Escritura. Ali Deus restringiu o pecado
diminuindo a longevidade do homem. Ele também restringiu o pecado no
tempo da torre de Babel, ao mudar o idioma dos homens. Passagens que
falam de Deus entregar alguém ao pecado implicam uma restrição prévia de
algum tipo (Sl. 81:11, 12; Atos 7:42; Rm. 1:24-28).
Muitos citam essas passagens como exemplos da assim chamada graça
comum. Que Deus restringe o pecado do homem, dizem eles, é evidência de
uma disposição graciosa de Deus para com todos os homens. Alguns até
mesmo diriam que essa graça comum é o resultado de uma obra não-
salvadora de Deus no coração, mente e vontade do homem, que deixa o
homem menos que totalmente depravado; e que prepara o caminho para o
evangelho, tornando possível para um homem aceitar ou rejeitar o evangelho
como uma oferta de graça salvadora.
Que existe tal restrição do pecado, contudo, não prova que isso seja
uma questão de graça. A questão “Como e por que o pecado é restringido?”
ainda deve ser levantada.
A Escritura claramente ensina que essa restrição do pecado é realizada
somente pelo poder de Deus, não por qualquer operação graciosa do Espírito
operando alguma mudança na natureza depravada do homem. Portanto, ela é
semelhante a colocar uma focinheira num cão violento.
Ela o impede de morder, mas não faz nada para
recuperá-lo de sua raiva. Dessa forma Deus
usa muitas coisas, especialmente o temor das conseqüências, para restringir a
impiedade dos homens sem mudar seus corações. Um dos melhores exemplos
de uma restrição soberana, mas não-graciosa, é encontrada em Isaías 37:29,
onde Deus diz ao rei da Assíria: “Eis que porei o meu anzol no teu nariz, e o
meu freio, na tua boca, e te farei voltar pelo caminho por onde vieste”. Não
há nada gracioso nisso!
Essa mesma passagem de Isaías nos lembra do propósito dessa
restrição. Ela não tem o outro propósito senão a proteção e preservação do
povo de Deus no mundo.
As operações comuns da providência de Deus não são uma graça
comum. Graça é o poder pelo qual Deus salva pessoas (Ef. 2:8-10). Não existe
outro tipo de graça além da graça maravilhosa, impressionante e salvadora.
Louvado seja Deus por isso!

Fonte (original): Doctrine according to Godliness,
Ronald Hanko, Reformed Free Publishing
Association, p. 96-98.

sábado, 1 de maio de 2010

A Providência de Deus

Série de estudos

5 - Providência e “Graça Comum”

Rev. Ronald Hanko

Fonte : www.monergismo.com
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

Em sua providência, Deus provê a todas as suas criaturas (Atos 17:25).
Isso significa que Deus dá muitas dádivas aos ímpios, incluindo não somente a
chuva e a luz do sol, alimento e abrigo, vida e respiração, mas também uma
mente racional, uma vontade e um espírito.
Muitos concluem a partir disso que Deus ama os ímpios e é gracioso
para com eles. Essas coisas, dizem eles, são a “graça comum” de Deus, sua
graça para todos, uma graça que não os leva à salvação, mas que lhes é todavia
um testemunho do favor e amor de Deus por eles. Uma providência comum,
contudo, não é a mesma coisa que uma graça comum, e as duas não deveriam
ser confundidas. Em nenhum momento a Bíblia usa a palavra graça para
descrever essas operações comuns da providência de Deus.
Isso não é negar que as dádivas que Deus dá aos ímpios são dádivas
boas (Tiago 1:17). Mas porque Deus lhes dá muitas boas dádivas não significa
que ele os ama ou é gracioso para com eles. Dizer que Deus dá boas dádivas
aos ímpios não diz nada sobre o porquê Deus dá essas dádivas. A Bíblia ensina
que ele tem outras razões que amor ou misericórdia ao dar boas dádivas aos
ímpios. Ele lhes dá essas dádivas em sua ira, como uma armadilha para eles
(Sl. 11:5,6; Pv. 14:35; Rm. 11:9), para maldição (Pv. 3:33) e para sua destruição
(Sl. 92:7). Por essas dádivas ele coloca-os em lugares escorregadios e os faz cair na
destruição (Sl. 73:18 no contexto dos versículos 3-7). Isso é claramente visto na
forma como os ímpios usam as dádivas para pecarem contra Deus e se
fazerem dignos de condenação.
Isso é tão verdadeiro que somos até mesmo ordenados na Escritura a
imitar Deus em nossos comportamentos para com os nossos inimigos – fazer-
lhes o bem, e fazer isso no entendimento que se eles não se arrependerem e
crerem, nossas boas obras serão para destruição e condenação deles (Rm.
12:20,21).
Não deveria nos surpreender que uma dádiva que é em si mesma boa
possa ser dada para tais razões. Se um pai der ao seu filho pequeno uma faca
de açougueiro afiada como uma navalha – algo que é indispensável na cozinha
– certamente questionaríamos se ele está dando tal “boa dádiva” em amor
e misericórdia. A criança certamente usará incorretamente a mesma para a sua
própria destruição, assim como os ímpios fazem com cada uma das boas
dádivas que Deus lhes dá.
De qualquer forma, talvez o maior perigo no ensino da graça comum é
que ela destrói nosso conforto em Deus. Se a chuva e a luz do sol, a saúde e a
vida, são graça, o que devemos concluir quando Deus nos envia o oposto:
doença, pobreza, aridez ou morte? Essas coisas são sua maldição? Ele as envia
porque nos odeia? Se a graça está nas “coisas boas”, não temos graça quando
Deus não nos envia essas coisas boas? Não devemos antes concluir isso: que
tudo o que ele envia a nós, seu povo, quer saúde ou doença, pobreza ou
prosperidade, vida, ou morte, ele nos envia em amor e graça e para o nosso
bem (Rm. 8:58), mas que tudo o que ele envia aos ímpios, mesmo que em si
mesmas sejam “boas”, é todavia para a condenação deles? De outra forma,
como seríamos confortados em todas as nossas tristezas e aflições?

Fonte (original): Doctrine according to Godliness, Ronald Hanko,
Reformed Free Publishing Association, p. 95-96